domingo, 24 de junho de 2007

O reencontro

Quando a porta se abriu, ela surgiu. Trajava um lindo vestido vermelho. Cabelos longos e escuros, pele morena, sorriso largo. Tinha nos olhos um brilho especial, daqueles que somente os olhos apaixonados conseguem refletir. Face corada, cheia de vida. O perfume, que seguiu em minha direção quando ela surgiu de trás da porta, hipnotizou-me. Com ombros e quadris largos, aquela moça posicionou um pé na frente do outro, e o outro na frente do um, e assim começou a caminhar em minha direção. Um movimento divinamente cadenciado de quadris e braços conferiam-lhe um ar de top model. Enquanto caminhava, seus olhos permaneciam fixos nos meus, deixando-me completamente sem ação. O balanço de seus cabelos fazia espalhar ainda mais o seu perfume. Boquiaberto, sem saber o que fazer ou o que dizer, limitei-me a admirar a singularidade daquela beleza. À medida que a distância diminuía, meu coração acelerava-se. Eis que, enfim, ela parou a poucos centímetros de mim. Então pude sentir a maciez de suas mãos tocando as minhas e jogando-as sobre seus ombros. Em seguida, seus braços enlaçaram meus ombros, levando meu tronco de encontro ao dela. Dada a proximidade, pude sentir que a respiração e o coração dela também estavam acelerados. Seus lábios, desenhando um sorriso angelical, aproximaram-se dos meus, ficando tão próximos que eu pude sentir o sabor de seu batom vermelho sem precisar tocá-lo. Uma voz linda, sussurrada e sufocada pela proximidade de nossos lábios, pude enfim ouvir. “Que saudade de você, meu amor...”

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