quarta-feira, 18 de julho de 2007

Rota de colisão - parte 1

8h42min. Estou em meu quarto, tentando estudar. Sobre a mesa há um livro de Química Orgânica. Estou estudando Análise Configuracional, um dos temas que será exigido no concurso. Estou preocupado, porque a preparação das aulas não tem rendido como eu gostaria. Na verdade, estou apreensivo. Fico pensando nas horas que precisei dispor para negociar o piso para a casa que eu e a Débora estamos construindo. Penso ainda nas malditas cadernetas (ah, como eu as odeio!) que precisavam ser preenchidas e que me tomaram praticamente toda a primeira semana de julho. Realmente as coisas não estão indo muito bem. 8h54min. O telefone celular está tocando. É a moça da empresa com quem negociamos o piso. Ela está pedindo meus dados (CPF, RG, endereço etc.). Começo a fornecê-los, mas de repente dou-me conta de que não devo fornecer meus dados pelo telefone. “Olha, eu vou passar aí pra te levar esses dados, pode ser?” Ela se surpreende, mas responde que sim. Certo, ter que sair assim realmente me deixa muito irritado, mas é melhor que seja assim do que arriscar a ter meus dados nas mãos de uma estranha. 9h7min. Estou no balcão da firma, fornecendo as informações que a moça solicitou. A peleja não leva mais que 5min. De volta ao meu carro, olho para o céu. Está fechado, cheio de nuvens carregadas. As ruas da cidade estão molhadas pela chuva e o clima está frio. O dia não está dos mais alegres. “Já que estou aqui mesmo, vou dar uma esticada até a construção”, penso comigo mesmo. 9h16min. Estou em minha futura casa. Os pedreiros estão preparando para construírem a escada que liga a garagem até a varanda. Até que enfim! Há muito tempo venho contendo minha curiosidade para ver como ficará a escada. Em meio à minha satisfação, lembro-me que preciso voltar para casa e estudar. Volto então para o carro. Engato a primeira e paro por um minuto. Por qual caminho devo seguir? “Ah, vou descer por esta rua aqui mesmo. Hoje não vou descer pela rua São Paulo.”, decido, como se quisesse fazer o caminho mais rápido. 9h22min. Estou passando em frente aos chamados “predinhos”. À esquerda está a garagem da Transoper, uma empresa de ônibus que leva estudantes para Franca. Estou dando tapinhas ao volante, acompanhando o ritmo da música “On your side’, do TH Express. É uma música dance que fez muito sucesso em meados da década de 90. Chego na esquina da rua Sergipe. Como sempre costumo fazer, reduzo a velocidade, e ao ver que não há nenhum veículo se aproximando, piso no acelerador e continuo. Estou me aproximando da rua São Paulo. À esquerda avisto a casa verde que tanto nos inspirou para projetarmos nossa casa. “Nossa, minha casa vai acabar ficando mais bonita que essa aqui...” E sorrio. Já na esquina, olho para cima. Avisto um caminhão vindo em marcha lenta. Como eu havia feito na esquina anterior, começo a acelerar para passar por este cruzamento sem precisar parar. Eis que de trás do caminhão, fora do meu campo visual, vem uma moto, em alta velocidade. Ouço apenas o estrondo da colisão entre o pára-choque do carro e o meio da moto. Num piscar de olhos, o motoqueiro, caído, sume de meu campo de visão. "Meu Deus! O que foi que eu fiz?"
(to be continued...)

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