segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Diário de um professor de ensino médio

7h46min. Estou em uma sala do colégio, mais precisamente em uma turma de 1ª. Série do ensino médio. No nosso último encontro, estudamos as famílias representativas da tabela periódica. Combinamos que hoje seria a prova. Uma prova oral, simples e rápida. Mas ninguém estudou. Alguns dizem que não se lembraram, outros assumem que não quiseram estudar. Como haverá outra aula ainda hoje, às 9h50min, ofereço-lhes esta primeira aula para estudar e aviso que a prova será após o intervalo. Fico então olhando o que eles vão fazer. Alguns alunos abrem seus cadernos e começam a ler, mas logo desistem, enquanto outros sequer tentam. É como se não dessem a mínima para o que pode acontecer caso não sejam aprovados ao final do ano. Uma das alunas senta-se ao lado de uma amiga e contra sobre a briga que teve com o namorado no fim de semana. Uma outra olha um livro sobre sonhos, pois está curiosa para saber o significado do sonho que teve esta noite. Uma outra, no fundo da sala, está debruçada sobre a carteira. Disse que ficou até altas na Internet. Um outro aluno, que raramente aparece, limita-se a “zuar” alguns colegas. Este é o cenário que se apresenta aos meus olhos. Um cenário muito triste e desolador: adolescentes desinteressados por tudo o que possa exigir algum esforço da parte deles. Estes jovens parecem pouco preocupados com o futuro. Às vezes tenho a impressão de que eles não acreditam em seus futuros, como se fossem morrer ao final de cada dia. Contudo, mesmo que amanhã acordem fortes e sadios, é como se estivessem “vegetando”, pois em nada terão evoluído. Tudo permanecerá como está agora. Todos continuarão vítimas da sociedade que os marginalizou e não ofereceu perspectivas de um futuro melhor. São vítimas de famílias desmanteladas, filhos de pais embriagados e egoístas e de mulheres que não souberam escolher os pais para seus filhos, ou que não foram fortes e responsáveis o suficiente para assegurar-lhes uma família de verdade. Eu, que tive uma família perfeita e fui criado com muito amor, não sei o que dizer a eles, pois não sei qual é a extensão da dor que estão sentindo. Apenas olho e espero o tempo passar, como se a cada segundo uma punhalada transpassasse meu coração. Meu espírito está triste, eu me sinto derrotado. A diferença entre eles e eu é que, por acreditar no futuro, amanhã acordarei renovado.

Um comentário:

Michel Leandro disse...

Edu,
lembra daquela revista que continha algumas mnensagens para professores? Se tiver a leia. Acredite, lá não é uma Universidade, e a realidade é outra, assim como você descreveu. Não acredite que sua família foi tão boa zeladora do amor assim, o maior motivo de você ser o que é, veio de VOCÊ MESMO, temos ajudas mas não quem possa fazer tudo pór nós.
Não tenho uma família cultural, meus pais riem quando crio peças de teatro, ou digo-lhes que tal texto de Machado me fez pensar uma semana toda - e eles tem culpa?
Não!

Por favor não entre nessa sala querendo ensinar a eles a tabela periódica, ensina eles a "pensar" primeiro. E, se até o final do ano conseguir ensinar algo da sua matéria e eles entenderem, agradeça a Deus, não será milagre, mas esforço SEU, novamente.

Evoluir - faça eles evoluírem. A culpa não está neles, mas em seus "mestres" anteriores. Comô? Nem eu sei ... Apenas acordem eles para a vida usando o seu coração e seu exemplo.

Eu penso que quero ser professor sim, mas para educar em primeiro lugar, depois ensinar-lhes a minha matéria.

Isso é triste?
Nem tanto assim, fazem dois mil anos que um grande homem veio a Terra e pregou o amor, e ainda estamos tentando amar ... eu, você, sua mãe, todos nós ... Só não podemos para de ter esperança, qual razão terá a vida sem ela?

Ame
Eduque
Ame
Ensina-lhes a sua matéria
e por fim ame novamente.

" A força deve ser você não eles".