domingo, 21 de outubro de 2007

O preconceito na ciência

Nesta semana que passou, um fato lamentável agitou o meio científico. O cientista James Watson, um dos descobridores do DNA e ganhador do Prêmio Nobel de Medicina em 1962, afirmou que os negros são menos inteligentes que os brancos. É fato que o tão conhecido cientista contribuiu enormemente para o avanço da ciência com a sua descoberta, mas a julgar por esta afirmação sem pé nem cabeça, fica evidente que ele está na hora de se aposentar (ou se já o fez, está na hora de ficar de boca fechada). Basta comparar, por exemplo, os negros e os “brancos” aqui do Brasil. Brancos e negros chegaram até aqui provenientes da Europa e da África, respectivamente, porém em situações completamente distintas. Os brancos vieram para colonizar, os negros vieram para servir de mão-de-obra escrava. Quando a escravidão foi abolida, os negros permaneceram à margem da sociedade, sem oportunidade de emprego, e esta situação ecoa ainda nos dias de hoje. Atualmente, embora o número de negros nas universidades tenha aumentado nos últimos anos, estes representam uma alíquota muito pequena dos estudantes universitários, principalmente nas universidades públicas. Isso, entretanto, não tem nada a ver com inteligência ou capacidade. Na condição de professor, posso dizer que alguns de meus alunos negros são capazes de fazer o Dr. Watson “engolir” o que disse. Não há, portanto, como dizer se um é mais inteligente que o outro. O que perdura, ainda nos dias de hoje – e esta talvez seja a verdade que o Dr. Watson não queira enxergar - é uma desigualdade social desumana entre as condições em que brancos e negros crescem e chegam às universidades. Isto é, obviamente, fruto das desigualdades sociais. Se o Dr. Watson ainda acha que precisa aparecer na mídia, por que ele não vai pesquisar sobre o gene responsável pela ganância humana, responsável por tal desigualdade?

Um comentário:

M.Costa disse...

Nem precisa de comentários para tal relevância mencionada acima, é a nua e crua verdade sobre esses pensamentos refletidos, não só a do cientista mas de uma vasta maioria de mentes pensantes que se assemelham a esse mesmo tipo de raciocínio e, fazem-o dele sua forma correta de interpretar qualquer situação.