sábado, 20 de outubro de 2007

Os tempos mudaram, eu não!

23h49min. Estou trafegando pela rua Voluntário Geraldo, a rua que dá acesso à minha casa. Estou voltando da casa da Débora. Estávamos assistindo ao programa do Tom Cavalcanti. Melhor dizendo, ela estava. Eu acabei dormindo, tamanho o cansaço que me abateu. Não vejo a hora de chegar em casa e deitar-me! 23h50min. Vejo um movimento de pessoas caminhando pela rua na mesma direção que eu. A maioria destas pessoas são adolescentes, moças e rapazes. As moças trajam “shorts” bem curtos (como o nome em inglês sugere!). Os rapazes, por sua vez, usam bonés e calças largas. Andam “gingando”, balançando os braços para trás e estufam o peito para frente. É como se com aquela forma de andar, quisessem dizer: “E aí, mano, o que é que tá olhando?”. Certo dia, perguntei ao William, um aluno do ensino médio, o que queria dizer aquela forma de andar. “Fessor, estou chaveando”. Perguntei-lhe o que queria dizer aquela expressão. “Fessor, chavear quer dizer ‘tô na área’. Vem de ‘chave de cadeia’.” Inconformado com o que ele havia me dito, disse-lhe: “William, quem fica na cadeia é bandido! E você não é nenhum bandido, ora!” Ele justificou-se. “Ah, fessor, esse é o meu estilo.” 23h51min. Estou passando em frente ao clube da Baixada, clube onde passei toda a minha adolescência jogando futebol e tênis de mesa. Hoje é dia de baile. Baile de carnaval. À frente do clube, uma multidão de jovens aguardam a abertura dos portões. Ao vê-los, a imagem que me vem à memória é a cena do baile funk do filme “Tropa de Elite.” Uma pergunta começa a incomodar-me: onde começa e onde terminam as semelhançsa entre estes jovens e aqueles do filme? A maioria dos jovens está sorrindo, mas em uma das mãos acomodam uma lata de cerveja ou um cigarro. Será que é cigarro comum ou será algum “baseado”? 23h55min. Estaciono o carro debaixo da mangueira aqui de casa. Enquanto caminho para fechar o portão, fico imaginando como a adolescência de minha época era diferente, e como eu era um adolescente completamente diferente de todos da minha época. Não gostava de sair e nunca apreciei ficar em meio a muitas pessoas. Ficava em casa estudando e ouvindo músicas da Cindy Lauper, Madonna e Roxette. Como dizem os alunos, “eu ficava na minha” ou “ficava de boa”, no meu canto. Quando ria, eu o fazia espontaneamente. Não me drogava nem precisava de álcool para tomar coragem para "chegar" em uma moça e conversar. A propósito, isso não pe preciso hoje em dia. As moças é que chegam nos rapazes!
Mas os tempos mudaram. A moda hoje é “ser igual para ser aceito”, e não importa o que se tenha que fazer para ser igual. Sim, os tempos mudaram, mas eu ainda ouço Cindy Lauper, Roxette e Madonna. Talvez eu tenha parado no tempo. Ou talvez eu esteja realmente envelhecendo.

2 comentários:

cristine disse...

E é uma coisa ruim ou boa as meninas 'chegarem' nos rapazes agora ?
Sei não, mas pra mim deu a impressão de que você não aprova essa idéia ...

Ler um livro de Química Orgânica relaxa a coluna ?!
Aiai ... só você mesmo Antonio !

Está fazendo natação ainda ? Um esporte sempre ajuda viu !

Beijos,
Cris.

Antonio E. M. Crotti disse...

Oi Cristine!
Na verdade, o fato de as meninas chegarem nos rapazes é apenas diferente. Nada contra ou a favor. É que na minha época os rapazes tinham que suar a camisa para conseguir um beijo. Vixi, isso faz tempo, hein? Acho que estou mesmo ficando velho...
Estudar sempre me anima. Meu humor e meu astral ficam bem melhores quando estudo! Dá pra acreditar?
Ainda estou nadando, mas com tanto stress e ansiedade, não há coluna que resista!
Abração!