sábado, 13 de outubro de 2007

Semana do saco cheio - parte 2

7h38min. Estou entrando na New Car, a oficina mecânica onde meu carro está “internado”. Do portão avisto-o, todo empoeirado, com o capô levantado. Estaciono o carro do papai e saio procurando pelo mecânico, o Cidinho, mas não o vejo. Próximo ao lugar onde está o meu carro, um rapaz muito jovem, que trabalha com ele, varre o chão. Acho que deve ser ajudante. Ao perguntar-lhe onde está o Cidinho, ele responde: “O Cidinho foi ao hospital. Ele cortou a mão semana passada e agora a mão dele inchou...”, diz ele. “Meu Deus, era só o que me faltava!”, penso. Ciente de que preciso resolver o problema do motor, peço a ajuda ao rapaz para colocar o cabeçote no porta-malas do carro. “Vamos acabar com isso logo”, penso, decidido a acabar com esta situação. 7h52min. Estaciono à porta da retífica Santa Rita. Cuidadosamente, retiro o cabeçote do motor do porta-malas. Na verdade, o que devia ser uma tarefa simples, acaba se tornando um verdadeiro malabarismo, pois os amortecedores do porta-malas estão estragados e não suportam o peso da tampa por muito tempo. Sendo assim, logo que eu retiro o cabeçote, sinto o movimento da tampa movimentar meus cabelos, seguindo-se um estrondo. “Deus do céu, quase fico sem pescoço!”. Entro na retífica e coloco o cabeçote no chão. A dona da loja vem e pede para um rapaz analisar e ver quais peças precisam ser trocadas. Curiosamente, o rapaz tem o mesmo sobrenome do papai: Altair. Após saber quais peças precisam ser trocadas, sigo em direção à Alfa Auto Peças. 8h27min. Acabo de pedir as peças para o Jean, o vendedor que me atendeu. Em poucos minutos ele me apresenta uma pequena sacola e dispara o preço. “São R$180,00”. Meio assustado com o preço, retiro o dinheiro da carteira e pago ao senhor que atende no caixa. Já na saída da loja, meio desnorteado e cabisbaixo, ouço alguém chamando. “E aí, fessor, beleza?” São o Guilherme e o Flávio, alunos do ensino médio. “Olha lá, Flavim, ele não parece o Van Damme?”, diz o Guilherme, fazendo-me rir. Já há algum tempo ele faz essa brincadeira, em alusão aos óculos que uso. Segundo ele, meus óculos escuros são parecidos com o que o Jean-Claude Van Damme usa. Balanço a cabeça, sorrindo. “Você é mesmo um brincalhão, Guilherme!”. 8h48min. Deixo as peças na retífica e pergunto à moça que horas posso voltar para buscar. “Uma hora da tarde, moço”. Entro no carro e volto correndo para casa, na esperança de poder estudar um pouco. 13h18min. Estou de volta à retífica, para pegar o cabeçote e levá-lo ao mecânico. Pergunto pelo preço do serviço. “R$180,00”. Sem ter outra alternativa, sorrio e volto para a oficina, na esperança de que meu carro esteja pronto ainda hoje, para viajar com a Débora para São José da Bela Vista. 13h30min. Peço ao ajudante do Cidinho que me auxilie a colocar o cabeçote do motor em cima da bancada. Feito isso, pergunto-lhe novamente pelo Cidinho. “O Cidinho não volta hoje. Só volta na segunda-feira. Ele pediu pra mim montar o motor pra você...” Respiro fundo, dou meia volta e solto um “Pu-ta-que-pa-riu”, quase pensado letra por letra. “Se o papai souber que este ‘moleque’ montou o cabeçote, ele me mata!”. Ligo para a mamãe e ela entra em contato com o papai. Ele disse pra chamar alguém da retífica pra montar, pois não quer que “qualquer moleque” monte o motor. O rapaz, muito tímido, apenas assiste a minha reação, já imaginando o que está acontecendo. O Taíde, dono da oficina, se aproxima e diz: “Fala para o seu pai que eu garanto o serviço deste rapaz. Eu me responsabilizo pelo que acontecer. Este moleque é muito bom! Você vai se surpreender com o serviço dele!”. Respiro fundo. “Pode montar”, digo, dividindo com ele a responsabilidade. Vamos ver no que vai dar. 15h30min. O carro está pronto. Para minha surpresa, está tudo funcionando direitinho! O rapaz, que descobri chamar-se Bruno, tem 17 anos e trabalha desde os 10 em oficina mecânica. “Vou chegar em casa e mostrar ao papai”. 18h15min. Chego em casa. O papai, apreensivo e ansioso, me aguarda no portão. “Abre o capô e dê partida no carro”. Ele pára na frente do carro e fica observando. “Esse motor está desregulado, mas prece que o serviço ficou bom. O problema é que parece que tem algo batendo aqui...” 18h30min. O papai liga para a retífica para saber se o barulho do motor está normal. Ao desligar o telefone, ele me olha meio sem graça. “O cara da retífica disse que o rapaz que montou o motor é muito bom.” Conclusão: o motor está perfeito, mas preciso voltar amanhã para regular o motor. E lá se vai a terça-feira e eu não estudei praticamente nada para o concurso.... Quer saber? Essa “novela” está me deixando de saco cheio.

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