sábado, 20 de outubro de 2007

Semana do saco cheio - parte final

Quarta-feira, 10 de outubro. 7h15min. Paro em frente à New Car, a oficina que nos últimos três dias tem sido palco de uma das minhas maiores angústias desde que adquiri um carro. O portão está fechado, mas lembro-me que o Taíde, dono da oficina, disse que costumava chegar cedo. Desço do carro e vejo o trinco inferior destrancado. Começo a mexer no trinco, na tentativa de abrir o portão. Ao ver o portão balançando, o Taíde se aproxima. “Bom dia”, diz ele, com expressão séria. “Bom dia, Taíde. Rapaz, você não vai acreditar: a luz do óleo ta acendendo!”. Ele dá um risinho de canto de boca e diz, acalmando-me: “`O problema deve ser com o cebolinha do óleo. A oficina só abre à s7h30min. Você quer esperar ou vai voltar outra hora?” Sem titubear, peço-lhe que abra o portão. Vou esperar. 7h19min. Ainda faltam alguns minutos pra oficina abrir e para eu resolver o meu problema, ou melhor, para alguém resolver o meu problema. Olho para a oficina, cheia de lixo pelo chão. O Taíde já cedo parece correr de um lado para outro, tentando organizar as coisas e fazer uma rápida faxina. “Taíde, dê-me uma vassoura. Vou varrer a oficina pra você”. Sem pensar duas vezes, ele encontra uma vassoura e uma pá para amontoar o lixo. “Tomai, já que você quer trabalhar....” Espero que o tempo passe mais rápido. 7h35min. O Taíde me comunica: “O Cidinho já está aí.”. Surge então uma dúvida: “Uai... mas o Cidinho não estava machucado?”. 7h37min. “Bom dia, Cidinho. Melhorou da mão?” O Cidinho, sem parar de varrer o chão, diz que ainda dói quando ele faz força para apertar um parafuso. Explico-lhe o problema. Ele ri. “E o rapaz, fez o serviço direitinho? Eu te falei: o cara é de confiança, do contrário não teria deixado ele fazer o serviço pra você.” 7h39min. O Bruno se aproxima. “Bom dia, Bruno”, digo, cumprimentando-lhe, ao que ele prontamente retribui. “E aí, Bruno, beleza? Então quer dizer que o rapaz aqui duvidou do seu serviço?”, diz o Cidinho, com ar irônico. O Bruno ri, e sem olhar para mim, como se eu não estivesse ali, responde: “Pois é! Ele ficou aqui ontem a tarde toda. Nem tomar café direito ele deixou, desesperado por causa do carro.” O Cidinho retoma a palavra: “Ah, se fosse comigo! Eu deixaria ele esperando a tarde toda. Sairia pra tomar café, lanche, qualquer coisa.” Ouvir aquilo me chateia, principalmente porque agora tenho a sensação de que o Cidinho não quis fazer o serviço para mim. Lembro então que naquele mesmo dia em que ele disse estar doente, eu o vi andando pelas ruas da cidade. Penso comigo: “Certo, seus filhos da mãe. Quando foi pra eu pagar pelo serviço, paguei prontamente. Agora que já receberam, ouço isso... Bom saber disso!”
7h55min. Dou partida, engato a primeira marcha e ganho a rua. Espero estar livre desta situação. De tudo isso, uma lição ficou: quando eu precisar consertar o carro, vou procurar outro mecânico. E podem ter certeza: o mecânico vai demorar para ver a cor do meu dinheiro.

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