segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Não tenho dedos pra contar

Passei este fim de semana em meio a reflexões. A Débora leu alguns posts deste blog e disse que teve a impressão de que eu não estava querendo passar no concurso, que me achou "dividido" nas postagens que aqui deixei. Percebi então que eu tinha ínúmeros motivos para estar "dividido", com a sensação de que a vitória no concurso traria muitas perdas para mim. Pois bem. Eis abaixo vários motivos para fazer com que eu me sinta vitorioso: meus amigos, os alunos.

2a. série do curso de Química (Bacharelado), a turma mais numerosa de 2007. Talvez seja esta uma das que mais sofreu com a possibilidade de eu ir embora.

2o. ano de Química (Licenciatura). Turma pequena, mas bastante animada. Os rapazes adoram jogar "truco". Quando eu entrava na sala, eles perguntavam se podiam acabar a rodada. Quando eu saía, eles em chamavam pra jogar... E não é que eu ganhei uma partida deles? 3o. ano do ensino médio, escola Elza Miguel Francisco. Esta turma esteve comigo no primeiro ano em que comecei a lecionar. Fiz questão de escolher esta sala novamente, pois além de muito esforçados, os alunos são "muito gente fina".
2o. ano do ensino médio, turma A, da Escola Edda Cardoso de Souza Marcussi. Essa turma adorável preparou uma festinha para a minha "despedida". Eles acharam que eu ia embora...
1o. ano do ensino médio, turma B, da Escola Edda Cardoso de Souza Marcussi. Eis aí os meus "anjinhos" deste ano. A eles dedico os fios brancos de cabelo que surgiram em mim este ano...

Um comentário:

Márcio disse...

Grande Tonhão, salve!

Primeiramente, parabéns! Não daquele jeito hipócrita, de “parabéns” pela bela colocação (embora um segundo lugar em “empate técnico” seja realmente uma bela colocação), mas principalmente pelas suas palavras e por sua consciência não apenas das estruturas dos concursos, mas de todo o percurso acadêmico no Brasil. Fico realmente feliz de ler suas palavras e posso confirmar com a “otoridade” de quem fez parte do primeiro doutorado na França e que atualmente faz na terra do Astérix um segundo doutorado: sair não faz nenhuma diferença decisiva.

Opa, não tô cuspindo no prato em que comi, não! Claro que é uma experiência muuuito legal, mas creio que, exceto por questões de disponibilidade de material específico e do encontro (fortuito, na verdade), com meu antigo tutor e atual orientador (cabra bão dimais!), daria na mesma estar em Paris ou em Araraquara. Isso em termos estritamente científicos, claro. Não acho que seja mais professor por ter saído, nem creio que seria menos se tivesse ficado. Mas infelizmente são muitos os que ainda são deslumbrados a ponto de olhar meu currículo e dizer: “Université de Paris? Nossa, que excelente! (querendo, na verdade, dizer: “Paris? Que chique! A Torre é grande mesmo?”).

Enfim, é bom destacar: é por essas e outras que eu sou seu fã e das nossas “Narrativas”. Mas, mesmo que não seja pra logo já, não descarte totalmente a possibilidade de prestar novos concursos. Quem sabe você não decide ir um pouco mais pro sul do país e a gente acaba colega de trabalho? Seria supimpa!

Abraço deste seu admirador,

Márcio