domingo, 13 de janeiro de 2008

P.S.: Eu te amo

13 de janeiro. 17h35min. Estou dentro de um cinema. A sala está escura, como deveria estar. Débora e eu estamos assistindo ao filme “P.S: eu te amo”. Não estamos sozinhos, obviamente. Outros casais também assistem à comédia romântica que vai sendo rodada na enorme tela à nossa frente. É provável que aqueles que vieram em busca de risos estejam frustrados neste momento. Poucas são as cenas engraçadas, afinal é difícil rir de um filme que mostra a dor de uma mulher que perdeu o grande amor de sua vida e que após sua morte, começa a receber cartas por ele assinadas, todas com os dizeres “p.s.: eu te amo” - daí o nome do filme. É como se o “defunto” se mantivesse presente a todo instante, fazendo a jovem viúva remexer em suas lembranças. Abraçado à Débora e com o rosto dela apoiado em meu ombro, sinto minhas lágrimas quentes escorrendo face abaixo. Apesar do refrigerante, a garganta se mantém seca. O único som que se ouve é o de narizes congestionados, típicos de quem está chorando. O que faz o expectador chorar quando assiste a um filme? Será a pena que sente ao ver a personagem sofrendo? Provavelmente não. Cada expectador torna-se o protagonista do filme a que está assistindo. Há uma identificação com as personagens. Cada um desta sala coloca-se no lugar da mulher que, ainda muito jovem, perdeu o grande amor de sua vida. Lembrar de alguém que partiu dói, e dói muito. Encontrar os vestígios daquela pessoa em todos os lugares é como ter o coração transpassado por um punhal a cada milímetro cúbido de ar inalado. Dói lembrar, não importam quais sejam as lembranças, porque tais lembranças sempre trazem uma triste verdade: a ausência permanente. Você jamais rirá junto com uma pessoa que partiu nem tampouco terá o conforto de seu ombro amigo em um momento de tristeza. Você sequer terá a chance de brigar novamente com ela! De todas as dores, a do remorso talvez seja a mais cruel. O remorso é a dor de quem não terá uma segunda chance de pedir perdão ou de fazer algo pela pessoa que partiu. Todos temos planos para o futuro. Alguns pretendem “curtir a vida”, permanecendo eternamente aventureiros. Outros pretendem se casar, constituir família, ter filhos. A dor de quem aparece na tela é a de uma mulher que perdeu sua outra metade e agora não consegue continuar sua vida. Choro porque me identifico com aquela mulher. Choro porque assim como ela, sentir-me-ia ao meio e sem rumo sem minha outra metade. Mas choro também por ter em meus braços neste instante uma pessoa com quem posso sonhar e que me faz sentir vivo. Levanto o ombro. A Débora me olha. A luz que vem da tela ilumina suas lágrimas. Eu a olho com ternura. “Amo você”, digo com voz chorosa. Ela sorri. Lentamente, vai fechando os olhos e seu rosto vai se aproximando do meu. Fecho também os olhos. Enfim a escuridão. Viva a vida com intensidade. Perdoe a todos os seus “inimigos”, faça as pazes com aqueles com quem discutiu. Peça perdão, se preciso for. Diga às pessoas importantes para você o quanto as ama, mas cuide para fazer isso sem precisar usar um "P.S." Escreva “Eu te amo” nas linhas do destino destas pessoas. Lembre-se que a vida é tão breve que pode não lhe restar tempo nem para um “P.S.”

Um comentário:

M.Costa disse...

Grande Antônio!
Presenciei também esse filme no cinema, muito bom, apesar de triste, e de tudo mais que você falou - que é verdade. Fiquei curioso também em saber a segunda parte do "Dia de formatura - o desencontro" que você deixou em incompleto e no suspense do "to be continue".
Grandes Abraços
M.Costa