sábado, 31 de maio de 2008

Foi assim que tudo começou... - parte 3

Dezembro de 1994. Às vezes eu acho que o papai consegue ler pensamentos. É a única explicação que encontro para o fato dele ter descoberto o que está se passando comigo por causa do vestibular. Acho que pode ter sido o meu silêncio que tanto o incomodou... “Filho, o que você vai fazer no ano que vem?”. Pronto. Era só o que me faltava. Não estou conseguindo lidar com os meus problemas, agora tenho que explicá-los para o papai... “Vou fazer cursinho de novo, papai.” Ele então deixa a lata de tinta no chão, levanta-se, puxa as calças pra cima, enrruga as sobrancelhas e, com cara de quem não está acreditando, dispara: “Como é que é? Mas você já fez cursinho este ano! `Por que você acha que não vai passar?” Permaneço em silêncio por um minuto. Paro de lixar, respiro fundo e tento olhá-lo de frente. “É, papai. Não vou passar porque não vou prestar nada. Não estou preparado.” Ele parece indignado. “Não, não, não, não! Você não vai perder outro ano da sua vida de jeito nenhum! Ano que vem você vai estudar na Unifran. Escolhe algum curso que você goste e preste. Não quero ver você parado de novo, não!” Que ótimo! Outro problema pra eu resolver... “Mas, papai, olha só: neste ano tem o tiro-de-guerra. Vai ficar difícil conciliar o tiro-de-guerra e a faculdade.” Ele me olha sério. Parece irritado. “Ah, é? E conciliar o tiro-de-guerra com o cursinho você consegue, né? Você ta querendo moleza, né moleque?! Você vai fazer faculdade, sim! Eu e sua tia vamos dar um jeito de pagar a faculdade pra você.” Pelo jeito meu argumento não foi bom o suficiente para convencê-lo. Que ótimo! Pelo menos ele não está me escolhendo o curso que ele quer que eu faça. Acho que vou cursar Química. Se bem que gosto mais de Física e Matemática... Não sei se vai dar pra aturar a tal de Química Orgânica. Argh!!!!

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