sexta-feira, 6 de junho de 2008

Foi assim que tudo começou... - parte 6

Abril de 1995. Estou me saindo bem no tiro-de-guerra. Ao contrário do que o papai achava, eu ainda não tomei nenhum chute na canela e não perdi nenhum ponto dos 20 que todos os atiradores recebem. Tenho tido um comportamento disciplinar exemplar e sou um dos poucos que o sargento ainda não puniu com as tradicionais 20 flexões de braços. Já aprendi a marchar e umas ou duas vezes fui elogiado pelo próprio sargento pela destreza nos movimentos. Também sou bastante dedicado ao estudo da apostila e no desarme do fuzil. Na verdade, às custas de muito treinamento nas noites de plantão, sou recordista: desmonto o fuzil em 9s e o monto em 18s. Por outro lado, tenho problemas com a pontaria. Em nossa primeira visita ao estande de tiros eu não me saí muito bem. Tirei um “R” de “regular”, que quer dizer “mais ou menos”. Fiquei um pouco abatido, principalmente por saber que o papai era o melhor de pontaria de sua turma. No mesmo dia em que fomos dar o primeiro tiro o sargento fez uma competição entre os atiradores de números pares e os de número ímpar. Segundo as regras, cada atirador deveria rastejar em um trecho, correr no outro, rastejar em um terceiro trecho e correr no trecho final. Perdi para o Araújo. O filho da mãe trapaceou... Ele percorreu correndo uns 5m do terceiro trecho, que deveria ser percorrido rastejando... Eu deveria ter ficado nervoso, mas senti-me tão abatido que não pude sequer reclamar com o sargento. Aquele dia ficou marcado de forma negativa, e apesar do meu desempenho na desmontagem do armamento, na ordem unida (marcha) e na parte teórica, tenho me sentido muito triste. Acho que jamais serei tão bom quanto o papai...

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