segunda-feira, 9 de junho de 2008

Foi assim que tudo começou... - parte 8

Maio de 1995. Parece engraçado a forma como uma conversa por semana com o Guilherme possa ter causado tantas mudanças em mim. Hoje amo o papai mais que antes e aprendi a não dar tanta importância às críticas que ele faz. Deixei de fazer as coisas na expectativa de que ele me elogie. Sou um dos melhores alunos de minha sala na universidade e um dos melhores atiradores do tiro-de-guerra. Estou treinando para a próxima sessão de tiros e estou me saindo bem. Ao olhar no espelho, percebo que não sou feio quanto eu imaginava. Além disso, me disseram que há outras coisas além de beleza e dinheiro que as mulheres procuram. O senso de humor é uma delas. Meus amigos de adolescência seguiram outros rumos. O Carlos e o Tião estão namorando e o Gordo só sai para tomar umas “cachaças”. Na ausência deles, estou aproveitando o tiro-de-guerra para ampliar meu círculo de amizades. Um de meus novos amigos é o atirador 01, cujo nome de guerra é “Zabalar”. Sei muito pouco sobre ele, mas sempre que nos encontramos à noite na avenida damos boas risadas. Em sua companhia sempre estão o atirador Marques, o Mutão e o Everaldo. São eles os meus mais novos amigos. São tranqüilos, não bebem e saem apenas para bater papo. Acho que enfim encontrei pessoas como eu. Neste momento estamos todos no parque de exposição Tancredo Neves, onde está sendo realizada a Festa da Soja. Lá no palco está sendo realizado o show do “Só pra Contrariar”, o grupo de pagode de maior sucesso da atualidade. Embora as músicas sejam boas, continuamos nossa conversa normalmente. Enquanto conversamos, olhamos para as moças que passam. Nenhuma delas retribui ao meu olhar, mas isso pouco me importa. Há dois meses atrás eu sequer tinha coragem de olha-las... Estou com o abrigo de tiro-de-guerra, a pedido do sargento. Ele pediu a todos os atiradores que fossem à festa de abrigo. A julgar pelos companheiros de TG que avistei, percebo que fui o único a seguir a ordem. “É, Crotti, acho que só você veio com o abrigo...”, diz o Zabalar, entre risos. Enquanto ele ri, avisto uma mão tocando-lhe o ombro. “E aí, Zabalar, tudo bem?” Meu queixo quase vai ao chão ao avistar aquela jovem aparentando uns 14 ou 15 anos,morena, magra, de cabelos escuros longos e nariz arrebitado puxando conversa com ele. Ela tenta manter um diálogo com ele, mas ele não parece muito receptivo. “Deus dá asas para quem não sabe voar...”, penso comigo. Tento disfarçar mas não consigo tirar os olhos daquela linda jovem. “Espero que o Zabalar não perceba. Não quero que ele pense que estou de olho em uma paquera dele...” Embora esteja com os olhos vidrados naquela jovem, ela parece não tirar os olhos do Zabalar e sequer percebe que esotu presente. Após alguns minutos ela se despede do Zabalar e meus olhos a perdem no meio da multidão. Resta-me apenas suspirar e torcer para que eu a reencontre algum dia...

Um comentário:

Ricardão disse...

É Tonhão... dessa vez vc dançou com esse suspense... todo mundo já deve ter sacado que essa jovem é.. tchan, tchan, tchan... Débora Zabalar ! abraços,

RICARDÃO.