sexta-feira, 25 de julho de 2008

Foi assim que tudo começou... - parte 9

Junho de 1995. É sábado. Como diz aquela música do Cidade Negra, “Todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite”. No meu caso, eu tenho esperado que eu me dê bem em alguma noite de sábado. E eu sinto que isso está muito perto de acontecer. Tenho melhorado bastante, graças à ajuda do Guilherme, com quem estou fazendo tratamento psicológico. Minha auto-estima tem melhorado bastante. Simplesmente aprendi a ser eu mesmo. Em meu Gol BX ano 1983, trafego pela avenida vagarosamente. O rádio toca-fitas toca “Let it me be”, da Talessa. É uma música dance. Aprendi a gostar deste estilo de música. Tive que abandonar as músicas românticas. Elas me faziam chorar e me deixavam muito triste... Para me impor, deixo o braço esquerdo cair para fora do carro, enquanto a mão direita gira o volante para a direção que eu quiser. Isso dá uma sensação boa. Traz uma sensação de imponência. Ao meu lado está o Zabalar. Ele tem sido meu companheiro de “balada”. Nós nos entendemos bem. Ele também é quieto e tímido, porém dá pra ver que os traços do rosto dele são bem mais delicados que o meu. Ele tem um nariz pequeno e arrebitado. O meu é grande e caído. De qualquer forma, estamos os dois solteiros e sem namorada, totalmente descompromissados. Ele também apóia o braço direito pra fora do carro e fica “encarando” as meninas que passam. Agora estamos passando em frente a boate. Aqui o movimento fica praticamente parado, pois os jovens se aglomeram na entrada e acabam invadindo a rua. Essa situação é um prato cheio para que possamos paquerar. Olhar é fácil, o difícil é ter um olhar retribuído. Mas eu não me importo mais com isso. Quando olho para uma moça e ela vira o rosto, eu sorrio. “Que besta!”, eu penso. O Zabalar já tem um pouco mais de sorte. Acho que em breve ele vai começar a namorar e eu vou perder meu companheiro de balada... Eis que quando o carro pára exatamente em frente a boate, duas moças se aproximam do carro. Uma delas me é familiar. Era aquela moça que encontrei na festa da soja!!! Ela pára ao lado do carro, abaixa-se um pouco e se dirije a ele: “Agnaldo, eu quero que você me leve pra casa”.Ao ouvir aquela voz pedindo pra ele levá-la em casa, meu queixo cai. Que voz linda! “Filho da mãe! Ele vai ficar com ela essa noite!” Fazer o quê, né? Sorte é pra quem tem, não pra quem quer tê-la. Mesmo assim, gostaria de admirar a beleza dessa moça mais um pouco. Acho que ele não vai se importar. É então que me intrometo na conversa. “Zabalar, se você quiser, eu posso dar uma carona pra vocês”. Ele olha pra frente, com cara de zangado. “Depois a gente passa aqui. Toca o carro, Crotti”. Ele parece nervoso. “Puta merda, eu não tenho sossego mesmo!”, lamenta ele. Mal posso acreditar no que ele está dizendo. “Zabalar, você tá doido, cara? Uma mulher linda daquelas te dando bola e você fica dando “toco”?!” Em meio a gargalhadas, ele responde: “O que é isso! Você é que tá ficando doido! Aquela morena é minha irmã, a outra é minha sobrinha!” Ah, é? Então não resisto. “Uai, ela não tem namorado?” Ele me olha, com cara de quem já sabe o que eu estou pensando. “Não.” Eu simplesmente sorrio. Mal posso esperar pra que a noite termine e as levemos para casa...

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