domingo, 7 de setembro de 2008

Troca de pneus e troca de valores

9h45min. Estamos em Orlândia para o desfile de 7 de setembro. Débora foi convocada para comparecer, mesmo não morando aqui. Após fazer o contorno pelo canteiro central da avenida do Café, consigo estacionar o carro em uma vaga próxima a uma esquina. Estamos a três esquinas do ponto de onde sairá o desfile. 9h47min. Estamos caminhando em direção ao desfile. Falta apenas uma rua para atravessarmos. O trajeto está impedido. Há quatro policiais militares vigiando o local, talvez para manter a segurança. Enquanto atravessamos a rua, avistamos um Uno vindo em nossa direção, porém em baixa velocidade. “Nossa, olha o pneu do carro!”, diz Débora, apontando para o pneu furado do veículo. Minha atenção, assim como a dela, limita-se ao pneu. “Putz, será que estragou?”, é a pergunta que me vem à monte. Distraído, esqueço de ver quem está dirigindo o carro. Provavelmente terá muito trabalho pela frente... 10h22min. Estamos retornando para o local onde estacionamos o nosso carro. Logo avistamos o Uno de cor preta, parado na mesma esquina em que o vimos pela primeira vez. Percebo que há um senhor de idade já avançada tentando trocar o pneu do carro. Fixo o meu olhar naquele senhor. Há algo que começa a me puxar em direção a ele. A Débora percebe e me apóia. “Vá ajudá-lo, meu amor.” Aproximo-me, mas mantenho certa distância. “Bom dia. O senhor aceita ajuda?” Aquele senhor de baixa estatura, cabelos e bigode esbranquiçados levanta o olhar e responde, ofegante: “Ah, seria uma boa, viu?” Abaixo-me então e peço-lhe para levantar um pouco mais o macaco. Posiciono a roda e introduzo os parafusos. Aperto um pouco, peço para ele baixar o macaco e reaperto os parafusos novamente. Ele se levanta e me aponta um olhar agradecido. “Muito obrigado, obrigado mesmo!” Mal sabe ele que quem deve agradecê-lo sou eu... 10h25min. Enquanto me afasto, os policiais, que estavam todo este tempo praticamente ao lado daquele senhor, parecem seguir-me com os olhos. Um outro homem sentado à esquina também parece olhar-me. Em dias em que todos só pensam em si mesmo, o sofrimento alheio parece um filme a ser assistido comendo pipoca e bebendo refrigerante. Por outro lado, ver alguém ajudando um senhor idoso é algo com que não estão acostumados.

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