domingo, 28 de setembro de 2008

Aventuras no congresso BR-Mass - parte final

22h. As luzes se apagam. Os canhões de luzes se acendem. A música começa a tocar. As pessoas seguem para a pista de dança e começam a chacoalhar seus corpos. É como se houvesse um diálogo íntimo entre a música e as pessoas que estão neste ambiente Tanto homens como mulheres estão sob efeito do álcool. Todos, menos eu. Talvez por isso eu seja um dos poucos que permaneço sentado, olhando para a pista e observando o que mais parece um ritual de acasalamento. Eis que me flagro olhando para um canto qualquer do piso. Fico recordando de tudo de mágico que aconteceu neste congresso. O encantamento com o luxo do hotel, a palestra do prof. Fenn, ganhador do prêmio Nobel... Foi realmente muito especial. Entretanto, como em todo coquetel de encerramento, sinto-me um estranho no ninho. No final, todos são iguais. Quero que este congresso acabe logo. Quero voltar para casa.

Os amigos são animados. Michel, Gobbo, Borghi e Betinho. Às vezes fico me perguntando se parte desta animação não vêm do efeito do álcool. De repente, o Michel coloca a mão no meu ombro e me diz algo em meu ouvido. “Mestrão, olha lá o criador do ressonância ciclotrônica dançando com a gravata na cabeça! Vamos tirar uma foto do cara! Vamos fazer o seguinte: a gente fica meio do lado, você finge que vai tirar uma foto da gente e tira a foto dele, beleza?” Esboço um sorriso e sigo-o até próximo ao palco, onde todos estão dançando. “Todo mundo, atenção! No três, hein? Um... dois... três!”

23h. Estou em meu quarto. Avisei o Gobbo, meu companheiro de quarto, que estava indo dormir. Não quero perder horas de sono em um ambiente onde não estou me sentindo à vontade. Além disso, minha coluna está doendo. Ela travou há alguns meses atrás e o médico disse que dormir não chão com as pernas para cima ajuda a aliviar as dores. Não terei outra opção, pois o colchão é mole demais para mim.

3h. Estou andando por uma estrada, sozinho. O céu está escuro. O silêncio toma conta de meus ouvidos. Vejo pouca coisa em minha volta. A lua não consegue iluminar tudo. De repente, começo a ouvir um grito assustador. O grito é baixo, parece vir de longe, mas parece estar se tornando mais e mais alto. Parece aproximar-se de meus ouvidos. Então eu me assusto e projeto meu corpo, deitado no chão para frente. Quase em pânico, eu o faço chamando “mamãe, mamãe!” Terá sido um pesadelo? Quando abro os olhos, vejo que Gobbo, Michel e Néri estão gritando próximo a mim. Então dou-me conta de que era eles quem gritavam. Inacreditavelmente, o grito foi tão forte que "entrou" no meu sonho. Os malditos queriam me assustar. E conseguiram. Assim que me viram levantar, chamando pela mamãe, os três saíram juntos correndo pelo corredor. Meu coração está acelerado, estou ofegante, quase sem fôlego. Se eu tivesse problemas cardíacos, eu poderia ter tido um infarto ou coisa do tipo. Levanto-me calmamente e sigo até a porta. Não há mais ninguém no corredor. Encosto a porta e sento-me na cama, rogando mil pragas sobre eles.

Olho para o canto. Há um enorme cartucho de papelão duro onde guardo o pôster. “Se eles voltarem, vou quebrar esse canudo no lombo deles!”. Pego o cartucho e fico sentado na cama. Conforme eu previa, ouço vozes e risadas altas no corredor. São eles. Voltaram para me pregar outro susto. “Rapaz, a porta está fechada! Não acredito que ele voltou a dormir! Vamos ter que pregar outro susto nele!”, ouço o Gobbo dizer. “Que filho da mãe! Foi ele quem abriu a porta para os outros!”, concluo. Escondido atrás da parede do corredor, fico aguardando o Gobbo abrir a porta. Ele o faz, sorrindo. Atrás dele estão Néri e Michel. Vejo a luz do corredor entrando pelo corredor do quarto do hotel. A sombra deles vai crescendo. Eles estão se aproximando. Estão perto. Estão chegando. Mais um pouco e.... Eis que surjo por trás da parede proferindo golpes com o cartucho. Atinjo-os na cabeça, nas costas, nas pernas, na “bunda”... Eles saem correndo pelo corredor, morrendo de rir. Na porta do quarto, caído pelo chão de tanto da risada, está o Betão, que provavelmente arquitetou essa brincadeira de mau-gosto. Nem ele escapa. São golpes nas costas e nas pernas. Ele nem se defende. Está quase sem ar de tanto rir. A única coisa que eu ouço ele dizer é: “Mamãe, mamãe!”. Que filhos da mãe! Estão me imitando! Cansado, eu me sento ao lado dele e começo a rir também. “Pô, vocês poderiam ter me matado, sabia?”

Outras narrativas sobre o congresso BR-Mass:

Parte 1: A viagem / Parte 2: O hotel / Parte 3: O dia em que fotografei John Fenn

Nenhum comentário: