segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Corra, Forrest!

“Forrest Gump, o contador de histórias”, é um filme emocionante. Ao assisti-lo pela terceira vez, confesso que não consegui conter minhas lágrimas diante da inocência do personagem interpretado por Tom Hanks e que lhe conferiu um de seus Oscar de melhor ator. Em se tratando de um filme relativamente antigo e a que muitos já tiveram oportunidade de assistir em redes de televisão aberta, é bem provável que a história seja familiar a todos. Entretanto, a emoção que qualquer filme, música ou e-mail causa em cada um de nós depende muito das experiências que tivemos, e como cada um de nós é único, invariavelmente a emoção também é diferente. Para mim, “Forrest Gump” emociona-me pela sua inocência, ingenuidade e pureza. Não há maldade em nada que Forrest faça ou pense. Em função disso, ele é chamado de “idiota” por todos os que o rodeiam ao longo do filme. Isto me faz pensar no modo de vida “moderno”, onde é indispensável ser “esperto”, “velhaco” e “dinâmico”. Ora, atire a primeira pedra aquele que mesmo sentindo pena, não riu de Forrest...

Entretanto, não é a inocência de Forrest que me chamou a atenção, e sim o seu amor por Jenny. Forrest é apaixonado por ela, talvez por ela ter sido a primeira a se importar com ele. Mesmo assim, ela não o ama. “Você não sabe o que é amor”, diz ela a Forrest durante todo o filme, como se sua inocência o impedisse de entender a grandeza deste sentimento. Enquanto a vida corre e Forrest não consegue esquecer Jenny em nenhum minuto do filme, a maldita se engaja em movimentos “hippies”, fuma maconha, cheira cocaína, consome drogas injetáveis, e como se não bastasse sempre se envolve com homens “espertos”, que a agridem moralmente e fisicamente em vários momentos do filme. Será que ela acha que esses homens a amam? Será que ela acredita que eles sabem o que é o amor? Ou será que ela confundiu “amar” com “transar”?

Após quebrar a cara consecutivas vezes, Jenny enfim decide ficar com Forrest. Mas o casamento dos dois não dura por muito tempo, pois logo ela sucumbe, vítima da AIDS que contraiu durante suas incursões no movimento hippie.

O que me despertou no filme para escrever este post foi o fato de como enxergamos o sexo oposto nos dias de hoje. As mulheres que não possuem rosto angelical e/ou um corpo sedutor dificilmente ficam com suas metades. Da mesma forma, homens abobalhados (e evidentemente pobres...) estão fadados a experimentar o maldito amor platônico. Pelas experiências platônicas que colecionei na adolescência em função de minha timidez, posso afirmar que me identifico muito com Forrest Gump. Porém, ao contrário do personagem, eu soube “correr” (calma: eu não atravessei o Brasil do Oiapoque ao Chuí como maratonista...) ao invés de ficar esperando as Jenny que foram me surgindo pelo caminho.

A você, que visita este blog com certa freqüência ou que o visita casualmente, deixo um conselho: tome cuidado com as Jenny que surgem em sua vida. Seja você homem ou mulher, entenda que Forrest é um porto seguro para as Jenny. Ela sabe que ele vai estar sempre lá, cometa ela as burrices que cometer, esperando-a de braços abertos. Talvez seja por isso que ela não o valorize. Cuidado para não escolher amar uma Jenny, caso contrário nas mãos dela você tornar-se-á um Forrest e jamais será amado de verdade. A não ser que você se contente em ser um idiota mal-amado(a), não seja um Forrest Gump. A vida certamente não lhe trará um final tão emocionante como o do filme.

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