quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Profissão: desafio

Ser professor não é uma tarefa muito simples. Eu não fazia a mínima idéia do que me esperava quando optei por esta profissão (ou deveria dizer “ideal”?). Na adolescência eu ansiava muito pelo dia em que eu fosse professor. Ter um monte de pessoas prestando atenção no que eu tinha pra dizer era uma idéia um tanto tentadora para um jovem tímido e estudioso como eu.

Minha primeira experiência como professor deu-se ainda na pós-graduação, em 2002, como monitor da disciplina de Química Orgânica I. Foi uma excelente oportunidade para aprender e perceber o quanto pode ser complexa a relação aluno-professor. Percebi já naquela época que havia alunos que me cumprimentavam enquanto precisavam de mim. Findada a monitoria, aqueles mesmos alunos que outrora eram gentis ignoravam-me, provavelmente por não precisarem mais de minha ajuda.

Após 5 anos como docente, aprendi a não esperar nenhum retorno pessoal dos alunos. Esperar deles alguma espécie de consideração é sinônimo de pedir para se decepcionar. Dôo-me ao máximo sem esperar nada em troca. Eventualmente, entretanto, deparo-me com ex-alunos que dizem guardar boas lembranças de nossas aulas ou das piadas que eu contava. Para mim é o bastante.

No ensino médio a coisa foi diferente. Lidar com jovens era uma tarefa bem mais difícil. Os malditos hormônios que lhes afloram pelos poros tornam-lhes agressivos e irresponsáveis. É difícil impor barreiras e limites, e em meio à indisciplina, desmotivação e desinteresse, transmitir o conhecimento é uma missão pra lá de impossível. Limitava-me a dar-lhes alguns conselhos, contava algumas histórias e relatos de experiências que eu tive. Em alguns casos a semente produzia frutos muito animadores.

Se você quer entender como é difícil ser professor, assista a “Sociedade dos Poetas Mortos”. Sinta a motivação de um professor, interpretado por Robin Williams, que procura tornar pensadores seus jovens alunos. Una-se a ele em sua luta contra um sistema educacional extremamente conservador e encha os olhos para o espírito crítico e poeta que ele desperta em seus alunos. Mas esteja preparado para chorar com o final trágico de um de seus alunos e não espere que a iniciativa daquele professor tenha sido bem-vista.

Professor precisa ser pai, amigo, irmão, psicólogo. Precisa saber entender, respeitar, dar conselhos, motivar seus alunos. Se você quer ser um professor, prepare-se para receber baixos salários e a não ter reconhecimento pelo seu trabalho, inclusive por parte dos pais e dos alunos. Mas esteja ciente de que a esperança de um professor sempre renasce diante do brilho que surge nos olhos de um aluno que diz, empolgado: “Ah, entendi!”

Hoje vejo que ensinar não é uma opção. É uma obrigação. Ao ensinar, sinto-me mais próximo de Deus.

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