sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Árvore de Natal

Há muitas coisas boas acontecendo em minha vida, muitas das quais não tive tempo de registrar aqui. Há 15 dias fui padrinho de casamento de um amigo de futebol. Nós o chamamos de Gaspar, por causa de seu sobrenome. Fiquei muito feliz com o convite e o vi como uma grande consideração de sua parte. A festa foi maravilhosa! A empresa responsável pela festa foi a mesma que fez a festa do meu casamento, então pude reencontrar o Mário (não, não é aquele do armário...), que atendeu a mim e a Débora durante o nosso casamento. Para minha surpresa, ele se lembrou de mim. Entretanto, o que vai realmente ficar marcado foi a minha iniciativa de querer aprender dançar, o que em muito agradou a Débora. Voltamos para casa às 3h, exaustos, porém muito felizes.
Ontem foi também um dia muito especial. Fomos ao shopping de Ribeirão Preto comprar nossa árvore de natal! Durante muitos anos eu sonhei em ter uma árvore enorme, decorada com bolinhas brilhantes e uma estrela na ponta, repleta de luzes. Nesta época do ano sempre surgia uma expectativa enorme para o Natal, mas infelizmente eu sabia que sempre seria a mesma coisa: uma parte da família para um lado, a outra parte para o outro. Nunca consegui reunir as famílias de meus pais, principalmente por causa de problemas entre meus tios e tias e o meu pai. Não é nada fácil lidar com pessoas com personalidades difíceis e que sempre se acham donas da razão. Isso me feriu durante muitos e muitos anos e sempre me esforcei para que houvesse paz, mas senti que o esforço só saía de minha parte. Pois bem: desisti. Não que eu tenha desistido do Natal. Desisti foi de ver a família do meu pai reunida. Sendo assim, vou reunir a família da minha mãe (vovô Mila, vovó Maria e tia Ângela), meus pais, minha irmã e a Clara, juntamente com a família da Débora. Faremos então um amigo secreto na noite de Natal, deixaremos os presentes debaixo da imensa árvore de 2,50 m que comprei ontem. Sinto-me uma criança aguardando seu presente de Natal: ver a família reunida, em paz, na casa em que idealizei construir durante os últimos 10 anos de minha vida. Será uma noite muito especial, muito mágica. Sem dúvida há uma luz guiando meu caminho, e eu só tenho a agradecer (e retribuir da forma como puder) por tanta felicidade.

domingo, 26 de outubro de 2008

A bonança...

7 de outubro. 14h30min. Disco o número da escola, já memorizado no celular, e peço para chamar pela secretária. É a Regina quem atende. Peço que lea me envie, por e-mail, os documentos necessários para pedir a exoneração do meu cargo. "Meu Deus, Eduardo! Você vai mesmo ter coragem de fazer isso?" Minha resposta é imediata: "Não tenho outra escolha." Em poucos minutos os documentos estão em meu e-mail para serem preenchidos. 14h40min. Comunico à coordenadora que minha exoneração já foi solicitada e pergunto-lhe, ainda temeroso do que farei, se a minha situação está pendente ou se já foi definida (ou seja, se existe a possibilidade de ser demitido por causa desse inconveniente). "Acho que dá pra contornar." 22h15min. Encontro o ex-coordenador e peço que ele me dê alguns minutos para conversar. Peço-lhe desculpas e explico-lhe que estava apenas aguardando a aprovação do meu projeto para exonerar. Ele entende. 8 de outubro. 7h15min. É hoje o dia em que exonerarei meu cargo de professor da rede pública. Sinto a água fria cair sobre meus ombros, na esperança de que ela ative meus pensamentos e me aponte uma saída. "E se eu pedir exoneração e for dispensado da universidade?" Essa possibilidade existe. "Já sei! Entregarei os documentos para a secretária e pedirei para que ela 'segure' as pontas até que a minha situação esteja esclarecida". Com essa decisão em mente, troco-me de roupa e reúno meus pertences para sair de casa. Por curiosidade, resolvo entrar no site da Fapesp. Digito os códigos rapidamente. O número do projeto aparece. "Débora, venha ver isso aqui!" Ela corre até o escritório e eu lhe mostro o monitor. Ela lê antentamente... "Du do céu! Foi concedido!"

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

A tempestade...

7 de outubro. 11h. Estou no banco, depositando o meu pagamento. É um dos dias do mês em que fico mais feliz. Aos poucos estou conseguindo controlar minha situação financeira, que ficou aos frangalhos após a construção da casa e o casamento.

12h. Estou na feira de profissões, anualmente promovida pela universidade em que trabalho. Estou no estande de Química e Engenharia Química. Sou o professor responsável pela turma de alunos que fazem os experimentos e esclarecem as dúvidas dos alunos que por aqui passam. Fico feliz em ver como eles se divertem. É um clima muito bom.

14h15min. Estou em minha sala, conversando com o Rodrigo. O vice-coordenador da pós-graduação aparece e silenciosamente faz sinal para que eu o acompanhe até a sala dele. “Não deve ser boa coisa”, penso, pois estou acostumando com ele dando berros pelos corredores quando quer falar com alguém. Entro na sala e o aguardo. Enquanto isso estou falando com o ex-coordenador, aquele que foi responsável pela minha contratação e foi o meu grande incentivo para ter cursado pós-graduação.

14h20min. O vice-coordenador retorna, agora acompanhado pela coordenadora, e se senta. A coordenadora permanece de pé e começa a falar, com um tom de voz muito precupante. “Miller, a reitoria fez um pente fino e descobriu que você está dando aulas em colégio público. Nós ligamos na escola e sabemos que você dá aula lá todas as manhãs e nas noites de quinta e sexta-feira. Você sabe que isso é proibido pelo seu contrato. Conversei com o ex-coordenador e ele havia me dito que você tinha dito que ia exonerar no início deste ano. Ninguém está te forçando a nada, mas o seu nome está lá na reitoria. Fiquei de verificar o que estava acontecendo”. “Mas eu não exonerei porque estou aguardando a resposta do projeto que enviei para a Fapesp...” O vice-coordenador então complementa. “Miller, o seu caso é caso para demissão.” O ex-coordenador sai da sala, transtornado, com a impressão de que eu traí sua confiança. “Miller, você é que decide”. Posso sentir meu coração na garganta. Minhas mãos estão tremendo. Meus olhos começam a se inundar de lágrimas. Será que vão me dispensar? Meu Deus, o que vou fazer agora?