quinta-feira, 9 de outubro de 2008

A tempestade...

7 de outubro. 11h. Estou no banco, depositando o meu pagamento. É um dos dias do mês em que fico mais feliz. Aos poucos estou conseguindo controlar minha situação financeira, que ficou aos frangalhos após a construção da casa e o casamento.

12h. Estou na feira de profissões, anualmente promovida pela universidade em que trabalho. Estou no estande de Química e Engenharia Química. Sou o professor responsável pela turma de alunos que fazem os experimentos e esclarecem as dúvidas dos alunos que por aqui passam. Fico feliz em ver como eles se divertem. É um clima muito bom.

14h15min. Estou em minha sala, conversando com o Rodrigo. O vice-coordenador da pós-graduação aparece e silenciosamente faz sinal para que eu o acompanhe até a sala dele. “Não deve ser boa coisa”, penso, pois estou acostumando com ele dando berros pelos corredores quando quer falar com alguém. Entro na sala e o aguardo. Enquanto isso estou falando com o ex-coordenador, aquele que foi responsável pela minha contratação e foi o meu grande incentivo para ter cursado pós-graduação.

14h20min. O vice-coordenador retorna, agora acompanhado pela coordenadora, e se senta. A coordenadora permanece de pé e começa a falar, com um tom de voz muito precupante. “Miller, a reitoria fez um pente fino e descobriu que você está dando aulas em colégio público. Nós ligamos na escola e sabemos que você dá aula lá todas as manhãs e nas noites de quinta e sexta-feira. Você sabe que isso é proibido pelo seu contrato. Conversei com o ex-coordenador e ele havia me dito que você tinha dito que ia exonerar no início deste ano. Ninguém está te forçando a nada, mas o seu nome está lá na reitoria. Fiquei de verificar o que estava acontecendo”. “Mas eu não exonerei porque estou aguardando a resposta do projeto que enviei para a Fapesp...” O vice-coordenador então complementa. “Miller, o seu caso é caso para demissão.” O ex-coordenador sai da sala, transtornado, com a impressão de que eu traí sua confiança. “Miller, você é que decide”. Posso sentir meu coração na garganta. Minhas mãos estão tremendo. Meus olhos começam a se inundar de lágrimas. Será que vão me dispensar? Meu Deus, o que vou fazer agora?

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