segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Capote

Sábado, 8 de novembro de 2008. 16h45min. Estou no campo de futebol onde costumamos jogar nos fins de semana. Há algumas figuras novas na turma, porém são velhos conhecidos. Sinto a falta de alguns grandes colegas, que costumam animar o jogo. Os times estão montados e equilibrados.

16h48min. O jogo começa. Estou um pouco inseguro por causa do joelho e da panturrilha. Estou usando duas proteções, que ajudam mas não resolvem. Poucos sabem, mas hoje eu sou o mais velho em campo. A maioria tem na faixa de 23 a 26 anos. Eu tenho 32. Meu corpo tem 32, mas minha mente parece não querer aceitar. Um dos atacantes do time deles domina a bola e a toca, partindo pra cima dela em alta velocidade. Não consigo acompanhar. A cena se repete várias vezes, o que vai me deixando nervoso. “O jeito é não deixar dominar a bola”, concluo. Eis a minha chance. Um dos jogadores protege a bola com o corpo. Eu estico a perna entre as pernas dele, na tentativa de roubar a bola. Ouço um ruído de nervos. Meu joelho e minha panturrilha já eram. Fico caído no chão enquanto o jogador do time deles parte em direção ao gol. Não dá mais pra fazer nada.

16h58min. A partida termina e meu time perdeu. Saio do campo com o joelho doendo. Pra falar a verdade, nem sei como consegui chegar até o fim da partida. Aguardo alguns instantes, pego minha bicicleta, despeço-me e vou embora. Hoje não é meu dia.

17h50min. Em meu trajeto para casa, decido passar na quadra onde joguei há algum tempo atrás. O Crevelin me disse que os colegas sempre perguntam por que é que eu parei de jogar lá. A resposta é óbvia: aquela quadra de grama sintética força mais as articulações. Foi lá que me machuquei a panturrilha pela primeira vez. Sigo pela avenida, em alta velocidade. Na esquina, avisto uma carreta fazendo a curva. Estou me aproximando da esquina e reduzo um pouco a velocidade. Eis que de repente surge uma moto com dois indivíduos e corta bruscamente minha frente. Eu me assusto e aperto os dois breques. Em um piscar de olhos, sinto a traseira da bicicleta projetando-me para frente. Busco o chão com as mãos, mas a bicicleta vem por cima de mim. Sinto a dor do atrito de minha orelha contra o chão, enquanto alguma parte da bicicleta rasga o meu joelho. Assim que paro de rolar, percebo que dois carros estão parados ao meu lado. “Você está bem?”, perguntam eles. “Acho que sim”, respondo, com um sorriso sem graça. “Você precisa de alguma coisa?”. Respiro fundo. “Não obrigado”. Porém, minha vontade era responder: preciso é dar-me conta de que estou ficando velho.

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