terça-feira, 4 de novembro de 2008

Susto

22h15min. Estou em sala de aula. Os alunos estão fazendo exercícios enquanto eu aproveito para terminar a tarefa de inglês para quarta-feira. Ouço então o celular vibrar. Há duas novas mensagens. São de ligações de um número que não conheço. Olho para a janela, onde os pingos da chuva são desenhados devido ao contraste com a luz.

22h25min. Estou indo para a sala de professores. Passo em frente à sorveteria e compro um picolé. Olho em volta à procura do Thiago e do Paulo, alunos que haviam combinado comigo de voltar comigo para São Joaquim. Não os vejo. Será que aquelas ligações eram do celular do Paulo avisando-me que eles foram embora mais cedo?

22h38min. Estou indo em direção ao carro. Sinto sobre mim pingos de uma chuva fina. Procuro mais uma vez pelo Paulo e pelo Thiago, mas não os encontro. Terei que ir embora sozinho... Há poucos carros no estacionamento. Sinto, pela primeira vez em muito tempo, um certo medo.

22h47min. Estou trafegando pela rodovia Fábio Barreto, como faço todos os dias. A pista está secando. Vejo uma fila de três caminhões e um ônibus. É um retão e estou com visão. Dá para ultrapassar. Engato então a quarta marcha, piso fundo e em pouco tempo os quatro veículos ficam para trás. Eis que de repente tenho a impressão de ver um vulto cinza atravessando a pista. Meu Deus, parece-me um carro! Piso no freio com muita força e, agora quase parado, assisto a uma pick-up Fiat branca cruzando a pista. Trata-se de algum infeliz irresponsável que está com pressa de chegar em casa. Meu coração vem à boca, meu pulso está acelerado. Faço o sinal da cruz repetidas vezes. “Obrigado, meu Deus!” Ainda não foi desta vez.

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