segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Dia de formatura

18 de dezembro de 2008. 20h20min. Estamos no vestiário do ginásio onde será realizada a colação de grau das turmas de bacharelado e licenciatura em Química. Há alguns alunos que nos auxiliam os professores homenageados a vestir suas becas. Aproximo-me e um deles pede para que eu fique com os braços suspensos, paralelos ao chão. Sinto então minhas mãos roçando um tecido preto e pesado, que aos poucos toma a forma de meu corpo. Segue-se o fechamento dos botões e, para terminar, a tradicional “ajeitada” no babador branco. Meu amigo Vlad aproxima-se e fala, ao meu ouvido: “Aquele ali é a Vossa Santidade?”, diz ele referindo-se a um homem à nossa esquerda, que está sentado, em silêncio, com uma espécie de cobertura sobre os ombros que o difere dos demais. “Putz, Vlad, cê tá louco? Aquele ali é o reitor!” Ouve-se em seguida nossas risadas cortando o silêncio e a tensão do vestiário.

21h55min. Ouço a responsável pela cerimônia chamando meu nome. É minha hora de discursar. Falo sobre o orgulho e a sensação de vitória daquele momento e outras coisas que sempre se costuma falar nessas ocasiões. Olho para a platéia. Parecem distantes e desinteressados. Respiro fundo. “Ao vê-los indo embora, sinto vontade contar uma última piada, como aquelas que eu contava para segurá-los até o fim de nossas aulas, mas sei que vocês se lembram de todas elas e reconheço que é hora de vocês partirem. Sendo assim, vou reforçar alguns dos conselhos que lhes dei durante esses anos:

1. Jamais se esqueçam do segredo do sucesso: força de vontade, humildade e oportunidade. Dediquem-se de corpo e alma a tudo o que se propuserem a fazer, e por mais que vocês aprendam, jamais percam a humildade . Sendo esforçados e humildes, vocês certamente estarão preparados para as oportunidades que irão surgir.

2. Tratem com respeito seus semelhantes, principalmente aqueles que vocês liderarem em suas equipes de trabalho. Trate-os como se estivesse falando com vocês mesmos.

3. Jamais amoleçam diante das dificuldades da vida, pois poucos irão se emocionar ou respeitar o sofrimento de vocês. Quando for preciso, não sejam duros com vocês mesmos.

4. Nunca desistam dos seus sonhos, mas se sonharem o tempo todo, a vida terá passado e seus sonhos não terão se realizado.

5. O sucesso tem um preço. Que vocês jamais abram mão de seus ideais, do caráter e da ética para conseguirem o que desejam, pois verão que terão pago um preço caro demais.

Para terminar, preciso dizer que me sinto um pouco nostálgico neste momento. Sinto a falta do Gabriel e do Fransérgio, que certamente estão aqui neste momento, mas não podemos tocá-los ou vê-los. Sinto falta da minha grande amiga professora Ana Cláudia, que há dois anos estava aqui conosco na mesa de formatura. Ela estaria aqui sentada conosco novamente, mas Deus preferiu vê-la sentada ao lado Dele.

A vida é como um relógio cuja pilha vai enfraquecendo aos poucos. Nós somos o ponteiro, e de tempos em tempos passamos pelo mesmo lugar e ressuscitamos nossas lembranças. Pois bem. Há 10 anos atrás eu estava no lugar de vocês, colando grau. Tinha meus sonhos e meus medos, mas nunca imaginava que meu ponteiro fosse passar por aqui novamente, e que Deus me desse a honra de sentar à mesa com aqueles que foram meus mestres, e de ter o privilégio de falar estas palavras para vocês. Que Deus nos dê muita saúde, paz, amor e força para que nossos relógios continuem funcionando e que daqui a alguns anos nossos ponteiros possam se acertar e repetir este momento tão mágico e feliz.

Muito obrigado por tudo e muitas felicidades a todos!”

Retorno então à mesa sob aplausos.

22h10min. Um dos alunos da turma de licenciatura é chamado para discursar sobre a professora Ana Cláudia, minha grande amiga. Sou apenas um entre os muitos que sentem a falta dela.

22h15min. “E agora a turma de licenciatura em Química quer prestar uma homenagem especial à professora Dra. Ana Cláudia Barracchi Costa Saciloto, in memorian, e chama para recebê-la o prof. Dr. Antônio Eduardo Miller Crotti.” Foram as últimas palavras que ouvi naquela noite. Com o coração apertado, dirijo-me à frente da mesa e recebo da aluna Camila, com os olhos já úmidos em lágrimas, um lindo buquê de flores. Emocionado, prometo a ela que farei com que o buquê chegue até o seu destino.

Volto para a mesa. Olho para o buquê e começo a chorar. “Ah, minha amiga, quanta falta eu sinto de você...”

Um comentário:

Maicon Ferreira disse...

É miller o q falar depois d ler este texto??? no meio das lagrimas só quero t agradcer, por vc ser para nós mais q prof. mas um pai... smp com seus conselhos!!!

muito obrigado por td q vc smp fez por nossa turma...e esse diploma com ctz tem muito d vc!!!

um grande abraço!!!! d quem t admira muito....