domingo, 8 de março de 2009

Desenfreado

Quinta-feira, 5 de março. 8h35min. Estou ao volante, indo para o trabalho. À minha frente avisto a entrada para a rodovia que dá acesso à Franca. Com a mão esquerda, toco a haste próxima ao volante, fazendo as lanternas de seta sinalizarem para o lado esquerdo. A entrada não é reta, mas sim uma curva. Deixo então o carro ir para o dentro da pista e então vou virando lentamente a direção para o lado esquerdo. Com este movimento o carro parece puxado para o centro da curva; deve ser a tal força centrípeta. É assim que o papai fazia quando íamos de Quirinópolis-GO para o sítio Douradinho.

Ao entrar na curva, noto alguém à beira da estrada. É uma senhora com mais de 50 anos, acompanhada por uma criança de uns 3 ou 4 anos. Baixo então a guarda, e a despeito de tudo o que todos me dizem, decido parar e oferecer uma carona. “Posso fazer isso, mas não devo”, penso comigo, tentando encontrar uma justificativa para o que estou fazendo. Enquanto fico decidindo se paro ou se sigo em frente, vejo a senhora vindo em direção ao carro, puxando a menina pela mão. Ela vem sorrindo, aparentemente contente pela carona. “Eu e meu coração mole”, penso, esmurrando a direção. A senhora entra no carro, deixa a mala na parte da frente e se acomoda no banco de trás. Durante a viagem a senhora vai me contando que estava visitando seu filho, que sofreu acidente de moto. Ela diz que ele sofreu apenas ferimentos leves. Conta que um de seus filhos está nos Estados Unidos e que aquela neta é de uma de suas filhas, que é mãe solteira. Com os olhos na estrada e os ouvidos nas palavras daquela senhora, mal percebo que estou chegando ao meu destino. Sigo um pouco à frente, para que a senhora pudesse desembarcar próxima à sua casa. “Vá com Deus, meu filho. Que Deus o abençoe”. Eu agradeço e sigo para mais um dia de trabalho.

17h. Acabo de entrar na rodovia. Estou ansioso para chegar à academia e aliviar o estresse nadando e pegando alguns pesos. Há uma enorme descida à minha frente e um Corsa de cor vinho trafegando lentamente logo no final da descida. Sigo embalado com o carro, mas o maldito Corsa não acelera. Percebo então que há uma carreta vindo do outro lado da pista. “Putz, não vai dar pra ultrapassar”. Minha única alternativa é brecar. Pressiono então o pé no pedal do freio e, para meu desespero, sinto-o tocando o assoalho, sem que a velocidade tenha se reduzido. “Deus do céu!”, exclamo, já pisando na embreagem e reduzindo para a quarta marcha e, em seguida, para a terceira. E assim sigo a viagem, com muita cautela e na esperança de que nada de ruim aconteça no caminho para casa.

17h45min. O portão da garagem se fecha e eu desligo o carro. Lembro-me então das palavras da senhora a quem eu dei carona. “Vá com Deus, meu filho. Que Deus o abençoe”. De fato, hoje eu realmente não retornei sozinho p

Um comentário:

Barbara disse...

O Betinho, irmão do Henfil, dizia que a solidariedade é a coisa mais bonita do mundo e por ela a gente não agradece , mas se alegra.
Sua alegria foi chegar em casa, e lembrando das palavras da senhora.
Vc que é jovem, perceba 2 coisas, se permite:
1. A MAIORIA das pessoas é boa. o mal é que aparece mais porque é mais intenso.
2. Não confie em ninguém.
Paradoxal é.
Equilibre-se entre as duas coisas e conte com a sorte. Até!.