domingo, 15 de março de 2009

Lembranças da adolescência


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Domingo, 15 de março de 2007. Mais um dia nublado. Mais um dia repleto de recordações. Desta vez, porém, as lembranças vieram de uma forma inusitada. À noite, fui com Débora à casa de sua irmã, que é casada com Marcos, meu amigo de infância. Se não me falha a memória, foi ele a primeira pessoa a quem chamei de “amigo”. Como a casa dele fazia divisa com a da vovó Maria, era fácil encontra-lo quando eu vinha de Quirinópolis-GO. Foi ele o amigo com quem mais brinquei até os 12 ou 13 anos. Ao fechar os olhos, imagino-me sentado na “garupa” da bicicleta Gorike do vovô Milla, que coloca força nas pedaladas para chegarmos rápido à casa da vovó. Lá passava as tardes de sábado brincando com o Marquinhos (é assim que eu o chamava), e quando tudo dava certo, com Vanderlei (o “Maradona”), Claudinho, Ademar, Tiquinho e Vinicius. Sempre brincávamos de “golzinho” no meio da rua, ou de gol-de-cabeça. Neste caso, o gol sempre era o muro da casa do Claudinho, que não tinha tinta, portanto não tinha problema em receber boladas. Quando brincávamos de “betes” (uma espécie de beisebol adaptado), lembro-me da dificuldade que o Marquinho tinha de acertar a pequena bola. Logo ele rumava para dentro de sua casa e voltava com um novo “taco”, que mais parecia um tronco de árvore. Então ele não errava mais.Naquela época jamais passou pelos nossos pensamentos que nos tornaríamos concunhados. Hoje somos maduros. Amadurecemos. Estamos envelhecendo. Apesar de tudo o que mudou após estes anos, inclusive o fato de termos nos distanciado um pouco, dá pra perceber que há um mundo de lembranças que permanece vivo. Naquele mundo ainda sou um moleque querendo brincar, louco para chutar uma bola ou para bater com um cabo de vassoura em uma pequena bolinha. Naquele mundo sou apenas uma criança querendo brincar, que jamais imaginaria que amanhã é dia de trabalhar, de dar aulas em universidade e de escrever mais um artigo científico. Aquele mundo não é melhor que o que eu vivo hoje. É apenas diferente. E olhando as nuvens escuras que escondem as estrelas, tenho a certeza de que esta época de minha vida também será eterna em minhas lembranças.

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