sexta-feira, 15 de maio de 2009

Saudades dos que partiram

15h50min. Estou no trabalho, analisando alguns dados para elaborar um resumo para enviar para um congresso. Praticamente todos os demais colegas já foram embora. Estou sozinho. Coloco uma música para tocar no notebook. É uma música dos anos 70. Débora diz às vezes que eu sou fanático por músicas “velhas”. Se ela tem razão ou não, o fato é que essas músicas mexem muito comigo. É como se elas trouxessem lembranças de uma época que eu não vivi. É bem verdade que nasci em 1976, mas as imagens que me vêm à cabeça não dizem respeito a mim, e sim ao meu pai, mais precisamente da família dele. Lembro-me que minha avó tinha um bar, mas não sei se necessariamente ela o tinha na década de 70. Ao ouvir a música Native New Yorker, sinto-me parado na frente do bar. É como se essa música viesse de algum rádio tocando lá de dentro. Era uma época muito boa, em que meu avô ainda estava entre nós, com muita saúde e disposição para trabalhar. Bons tempos.

Músicas dos anos 80 faziam-me chorar na adolescência. Hoje as que me emocionam são as da década de 70. Será que à medida que os anos avançam estou retornando cada vez mais ao passado? Pensando bem, pode ser apenas uma tentativa inconsciente de reviver uma época em que praticamente todos os meus entes queridos ainda estavam vivos. Tia Alice, tio Agenor, tio Chiquinho, vovô Crotti, tio Joaquim, minha bisavó Maria Borella. Eles se foram, um a um, deixando em nossos corações um rastro enorme de saudade.

O tempo passa muito rápido, e a cada minuto que passa a gente envelhece. Eles envelheceram aos poucos, até o dia de sua partida. Já estou com 33 anos e também estou envelhecendo. Tenho trabalhado tanto que, graças a Deus, nem tenho tido tempo de pensar nisso. Ontem, no entanto, vi uma foto de meu avô Crotti e senti imensa vontade de chorar, a mesma que agora me enche os olhos de lágrimas. Às vezes acho que não morremos no dia de nossa morte. Vamos morrendo aos poucos, à medida que vamos perdendo pessoas importantes em nossas vidas. A cada pessoa que perdemos, o valor que depositamos nas que ficam vai aumentando. É por isso que neste momento eu gostaria de estar com todas as pessoas que eu gosto, ao invés de estar sozinho em frente à tela deste computador.

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