terça-feira, 16 de junho de 2009

A moça da sorveteria

Segunda-feira, 15 de junho. 11h50min. Vladimir, Serjão e eu estamos seguindo em direção à praça de alimentação aqui da universidade. Está frio. Há poucas pessoas pelo corredor. Estamos em semana de prova. A maioria dos alunos já terminou suas provas e foi para casa estudar. Estamos nos aproximando da praça. “Vou para a sala dos professores passar o cartão”, diz o Vlad. “Primo, eu vou com ele”, complementa o Serjão. “Beleza! Então eu vou aproveitar pra pagar a conta do celular enquanto vocês vão lá”, digo-lhes, já colocando a mão no bolso e retirando o boleto.

Aproximo-me da sorveteria Perfetto, um dos pontos do Bradesco em que é possível efetuar pagamentos. Paro diante do caixa. Já conheço a moça do caixa, e ela já me conhece também. Afinal, compro picolé de limão todos os dias. Hoje, no entanto, percebo que há algo de errado com ela. Ela sempre recepciona a todos com um “Oi, udo bem?”. Ela se senta, passa a mão pelo rosto e apóia seu cotovelo esquerdo sobre o caixa. Está vermelha. “Você está bem?”, pergunto-lhe. “Não. Acho que a minha pressão caiu.” Dali em diante ela apenas gesticula às minhas perguntas. “Quer que eu pegue sal na cantina pra você?” Ela mal consegue acenar com a cabeça, mas percebo que a resposta é positiva. Corro então para a cantina e volto em poucos segundos com pacotinhos de sal. Ela não consegue se mexer. Permanece na mesma posição e cada vez mais vermelha. Corro então em direção ao ambulatório e digo ao enfermeiro que “a moça da sorveteria está passando mal”. Em menos de um minuto ele surge ao lado dela e lhe toma a pressão. “Agora ela está em boas mãos”, concluo, aliviado. Sigo em direção à cantina. Próximo a ela Vlad e Serjão estão olhando, com cara de assustado. “O que foi que aconteceu?”, pergunta o Serjão. “A moça da sorveteria está passando mal”.

12h30min. Estamos voltando do almoço. A moça da sorveteria está bem. Seu tio, o dono da sorveteria, agora está com ela. De longe, ela aponta o dedo para mim e diz : “Olha lá quem me salvou, tio!” Ele sorri. “Ô, marajá!” (é assim que ele chama a todos...) – obrigado!”

18h40min. Estou indo jantar. Passo novamente em frente à sorveteria. A moça que passou mal não está mais lá. Deve estar em casa, descansando merecidamente. Como sempre, cumprimento as vendedoras do outro turno (que também já sabem de minha preferência pelo picolé de limão). Uma delas, a filha do dono, comenta de longe: “Fiquei sabendo que você salvou a moça do outro turno. Obrigado!” Eu apenas sorrio, meio tímido. Não me sinto orgulhoso do que fiz, pois era obrigação de qualquer um que estivesse ali fazer o que fiz. Talvez qualquer outro tivesse feito a mesma coisa. No entanto, nos dias de hoje, em que cada um só pensa em si mesmo, um ato tão pequeno como o meu parece acaba sendo uma boa ação e tendo uma repercussão maior que a que realmente merece.

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