terça-feira, 11 de agosto de 2009

O fio na tomada

Aos 13 anos eu era apenas um menino. Ainda mantinha atrás da casa, no velho monte de areia que com o tempo foi espalhado pelas chuvas, meus caminhões e tratores de brinquedo. Não pensava em meninas nem me preocupava com o que seria do meu futuro. Embora tivesse dois grandes amigos – o Gordo e o Tião – dificilmente algum deles ia brincar comigo lá em casa. Logo, quando estava em casa e não estava fazendo tarefa, eu passava a maior parte do tempo ouvindo rádio. Era um rádio toca-fitas da Phillips que a mamãe havia comprado com o um dinheiro que eu tinha na caderneta de poupança. Acho que ela deve ter se cansado de me ver deitado na cama dela ouvindo músicas em seu rádio-relógio. Com a aquisição desse rádio, passei a me interessar por músicas internacionais de vários cantores e bandas. Havia algumas delas que me despertavam a atenção de tal forma que eu passava a boa parte do tempo esperando que elas tocassem pra que eu pudesse grava-las em fitas cassete. Passava horas esperando as músicas que eu queria, e algumas vezes cheguei a ligar para a Lidersom FM 89,5 pedindo a música “The way you are”, do Secret Service. Era uma música que sempre me fazia chorar, embora eu não saiba até hoje porquê.

Atualmente as coisas são muito mais fáceis. Se quiser uma música, basta entrar na internet e baixa-la. Caso não se lembre do nome, digite uma parte dela no Google e inúmeras possibilidades irão aparecer. Mas há algo que eu ainda não consegui encontrar, e que muita saudade me traz: a turma da Maré Mansa. Era um programa humorístico que passava à noite, na Rádio Globo AM do Rio de Janeiro. Uma das frases que não consigo esquecer era a de uma personagem chamada Perigola: “Desce o prego que o martelo chama!”. Havia também os Trapalhões e vários outros. Eu deixava o rádio bem baixinho e adormecia ao som deste humorístico – que provavelmente deixou de existir há anos. Quando acordava, encontrava o rádio desligado, com o fio fora da tomada; tinha sido retirado pela mamãe, que sempre acordava durante a madrugada pra ver se estava tudo bem comigo e com a minha irmã.

Hoje em dia adormeço, às vezes, com o rádio ligado. Não é mais um rádio Phillips nem tampouco foi comprado pela mamãe, com o dinheirinho que ela depositava na caderneta de poupança. Do rádio redondo, com desenho arrojado, que ganhei de presente de um aluno, ouço “On your shore” e outras músicas da Enya. Gosto de adormecer ouvindo músicas new age, abraçado à Débora e sentindo a presença de Deus. É uma sensação maravilhosa! Após 20 anos, a única diferença é que quando acordo, o rádio ainda está ligado. Não há ninguém para desligar fio da tomada. Sinto saudades da mamãe...

2 comentários:

Anônimo disse...

Também sinto saudade da Turma da Maré Mansa,do descolado locutor Antonio Luiz Radio Globo Rio(falecido em 2005 se não me engano)não perdia um programa só pra ouvir a Pirigola,o Jacinto,Zazá,Mãe Mundinha,Burroso,O Trio Pilha,Ferrugem e muitos outros
Decada de 80 o ultimo programa foi ao ar em 1992 q falta heim amigo as vezes também recordo do rádio na minha infancia

Anônimo disse...

Acho até q nem era desce o prego mas sim:Deixe o prego q o martelo chamo,tipo deixe as coisas acontecem naturalmente,a PIRIGOLA era muito sussegada nem esquentava com nda rsrsrs