sábado, 29 de agosto de 2009

O tempo

Os leitores deste blog devem achar que sou saudosista. Afinal, a maior parte dos posts relata minhas lembranças de fatos passados – o que, aliás, desmerece o nome que dei a este blog... – e deve traçar de mim um perfil triste e infeliz com o presente. É verdade que não sou muito bom para lidar com o passar dos anos, pois até hoje tenho valorizado mais as perdas que os ganhos. Pelo menos é isso que tenho mostrado nas minhas postagens, certo? Pois bem. Vou mostrar nesta postagem o que de bom o tempo tem me mostrado.

O tempo mostrou-me que eu segui o caminho certo quando optei pelos estudos. Muitos dos colegas com quem eu jogava futebol na adolescência deixaram de estudar e hoje trabalham feitos loucos e são mal remunerados por isso. Ao que parece eu estava certo eu ser um “nerd” (ou C.D.F., se preferir), em ser aquele aluno quieto e tímido que se sentava no fundo da sala. Meus colegas envolveram-se muito cedo com as mulheres e deixaram-se seduzir pelos seus encantos na época errada. Os anos se passaram e eu me convenci de que foi ótimo que as moças por quem me apaixonei na adolescência não terem correspondido.

O tempo mostrou-me que as amizades verdadeiras são verdadeiros tesouros. Posso dizer que conheço muitas pessoas, e que tenho consideração por várias delas, e por muitas também sou benquisto. Mas amigos de verdade, eu creio que não chegam a encher os dedos de uma mão.

O tempo mostrou-me que todo o meu esforço, paciência e abdicação valeram a pena. Na adolescência eu me sentia um “ninguém” quando via os rapazes de minha idade bem vestidos e perfumados, alguns deles em seus carros e motos, cercados por belas moças. Eu olhava para eles, de longe (sim, eu jamais quis ser como eles...), e dizia pra mim mesmo enquanto retornava para casa: “Calma, minha hora vai chegar”. Talvez as lembranças que tenho do passado sejam justamente isso: vontade de trilhar novamente um caminho que agora eu sei onde vai dar...

Mais recentemente, o tempo mostrou-me que nem sempre sabemos o que é melhor pra gente. Os que acompanham este blog sabem que em 2007 prestei um concurso para ser professor na USP. Passei o ano todo estudando feito um louco, mas fiquei em segundo lugar por 0,1 de diferença! Na época fiquei extremamente revoltado, cometendo inclusive a imbecilidade de enviar um e-mail para os membros da banca... Hoje eu reconheço que o cara que foi aprovado em primeiro lugar tinha realmente melhores condições que eu e mereceu a vaga. Não importa que eu tenha tirado melhor nota na prova teórica que ele; sua experiência no exterior fez com que ele tivesse o perfil mais adequado para a vaga. Além disso, ele estava voltando do exterior com sua esposa grávida, sem perspectiva alguma de emprego. A vaga, portanto, foi preenchida pela pessoa mais preparada e que mais merecia. Demorei muito pra reconhecer isso, mas hoje desabafo que hoje estou muito feliz e tranqüilo por vê-lo bem e satisfeito onde está.

O tempo fez também com que eu reconhecesse que as coisas acontecem sempre na hora certa. Tenho minhas crenças (em Deus ou em “forças superiores”, o que preferir) de que nossa passagem por este plano é pura e simplesmente uma oportunidade de evolução. Reconhecer, de alma limpa, que o tempo tem me mostrado que às vezes estou certo e que às vezes estou equivocado talvez seja um bom sinal de que estou evoluindo.

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