segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Cenas inesquecíveis do cinema - parte 2

“Rocky II – a revanche” contém uma das cenas que mais mexeu comigo em todo o cinema. Tentarei resumir a história para que você entenda por quê.

Rocky Balboa é para mim um dos personagens mais marcantes do cinema. O personagem ao que me refiro é o dos quatro primeiro filmes, em especial dos dois primeiros. Ele é um boxeador do subúrbio da Filadélfia, pobre, sem perspectivas de futuro, além de ser praticamente analfabeto. Seu único amigo, Polly, possui uma irmã desengonçada, chamada Adrian. Por achar que sua irmã é encalhada e feia, Polly acaba forçando a barra para que Polly namore Rocky. Os dois acabam se dando bem e se casam. Ao longo desta trajetória amorosa, que é apenas um pano de fundo, o campeão mundial dos peso-pesados, Apolo, está à procura de algum pugilista inexpressivo para demonstrar que é benevolente e que incentiva o boxe. Ao procurar no jornal chama a atenção o nome “Garanhão italiano”, o apelido que Rocky colocou em si mesmo. Rocky então é procurado para a luta e aceita. O que se presencia é uma verdadeira batalha nos ringues, da qual Apolo vence, mas por pontos. Sua reputação sai seriamente arranhada, pois todos acham que a luta foi arranjada. Ele quer revanche (é aí que começa a história de Rocky II). Rocky, por sua vez, saiu todo machucado da luta e quase perdeu um olho no conflito. Ao ser procurado por Apolo para a revanche, Rocky aceita, sem no entanto pedir a opinião de Adrian, sua esposa e seu grande amor. Ela teme que ele se machuque mais seriamente e diz o quanto ele é importante para ela. Rocky então passa a treinar sem motivação nenhuma, pois sabe que está treinando a contragosto de sua mulher. Seu treinador se irrita e diz que Apolo irá massacrá-lo, mas Rocky não demonstra vontade de treinar. Ele está realmente sem motivação.

Eis então que Adrian, que estava grávida, tem contrações e precisa ir para o hospital. O parto acontece, porém é prematuro, fazendo com que Adrian fique em coma durante vários dias. Rocky passa o tempo todo ao seu lado, como um bom marido. A luta passa a ser a menor de suas preocupações. O que ele mais quer nesse momento é ver sua esposa viva. Eis que após vários dias ela acorda, deixando Rocky aliviado. Ela pergunta se ele viu o bebê, ele diz que ainda não, pois queria vê-lo junto com ela. Ela então pega o bebê nos braços e eles debatem qual será o nome. Então ela o chama. “Quero que você faça algo por mim”. Ele se aproxima e ela sussurra em seus ouvidos: “Vença! Vença!” Começa então a tocar a música “Going fly now”, de Bill Conti. Em seguida surge Rocky fazendo flexões de braços, aquecendo-se para o seu treinamento.

Você deve estar se perguntando por que razão essa cena marcou-me tanto. Vejo nesta cena um exemplo de esposo, dedicado à esposa e à família. Na iminência de perder sua esposa, sua profissão deixou de ser prioridade para ele. Há a questão da honra e de manter a palavra, coisas que hoje em dia quase não se ouve mais falar. Há a questão da força de vontade para superar o grande desafio que está por vir. Há a vontade de vencer. São sentimentos que só um homem pode entender. Nesta cena minha identificação com o personagem é máxima. A sintonia com a cena é tamanha que me pego rangendo os dentes, como se estivesse torcendo por ele: “Isso, vai lá e acaba com ele!” E não importa quantas vezes eu assista ao início deste vídeo: fico sempre arrepiado, como se fosse a primeira vez.

Para assistir o vídeo, clique aqui. Preste atenção nos 5 s iniciais. Reparem na expressão de alívio de Rocky. Com o apoio de sua esposa, não há limites para ele!

Um comentário:

Barbara disse...

Não sou pugilista mas se me faço de vencedora no sentido de "ir seguindo" da melhor forma que sei, é em função de meus filhos e netos.
Compreendo assim o que quis dizer e concordo.
Pessoas próximas nunca são ou estão próximas por mero acaso.
A Vida sabe...