quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Amizades


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A adolescência é um período repleto de dúvidas. O adolescente não sabe exatamente quem é nem tampouco quem vai ser. Fui um adolescente muito introspectivo e tímido. Vivia pra estudar e tirar as boas notas que o papai (graças a Deus) exigia, e para jogar futebol que a mamãe (graças a Deus) permitia. Conhecia muitas pessoas, a maioria elas da escola ou do clube onde brincava. Na época eu as classificava em três categorias: amigos, colegas e aqueles que “eu não ia com a cara”. Era fácil.
Hoje em dia as coisas são muito mais complexas. Hoje sou adulto e vivo entre “seres sociais”. Hoje em dia não dá mais pra distinguir quem é verdadeiramente amigo ou quem é inimigo. Digo “inimigo” porque hoje em dia algumas pessoas aproximam-se e dão o ombro pra ouvir um desabafo seu, para logo em breve usar aquilo a favor dela e contra você. Como ser “social”, hoje tenho que conviver com essas pessoas sem saber quem elas são... É como caminhar sobre ovos o tempo todo.
Hoje em dia não dá mais pra confiar em ninguém. As pessoas parecem ser mais más que antes. E se você teima em confiar nelas, por favor, seja cauteloso.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

De volta ao trabalho

Os dias que sucederam minha passagem ao hospital foram particularmente especiais. Foram momentos incríveis e intensos ao lado de minha família. Visitei minha avó quase todos os dias que pude e fui à casa de meus pais praticamente todos os dias. Visitei também meu sogro e minha sogra, por quem também tenho muito carinho. Curti todos eles com muita intensidade.

Passado o período de agradecimento, minha nova rotina de trabalho está sendo muito intensa. Há três dias tenho ido dormir às 3h da manhã, assim como eu fazia na época de graduação. A diferença é que agora sou 13 anos mais velho...

Tenho bebido muita água e procurado manter a calma diante de tudo o que tenho a fazer. O equilíbrio entre trabalhar e viver é o verdadeiro segredo de se viver bem. E não se desesperar, porque no final das contas, tudo acaba dando certo. Mesmo sabendo disso, viver é uma grande aventura, não acham?

domingo, 4 de outubro de 2009

Repensando a vida

Há quinze dias, neste mesmo horário em que escrevo este post, eu estava internado com terrível cólica renal. A dor iniciou-se às 5h30min, quando virei-me na cama. A princípio achei que fosse uma daquelas dores na coluna que tanto me incomodam de vez em quando. Levantei-me e fiz todos os alongamentos que estou acostumado a fazer, mas a dor só parecia aumentar. Senti então meu estômago revirar, então comi um pedaço de bolo. Minha esposa, ao ouvir meus gemidos, acordou preocupada e prontamente identificou que eu estava sofrendo de cólica renal. Imediatamente ela providenciou um remédio para os rins com um copo de leite. Eu os ingeri, mas o estômago recusou. Após o vômito, não tive outra alternativa: fui para o hospital, onde permaneci até as 14h da segunda-feira tomando medicamento para a dor passar e muito soro.

Um dos remédios que me receitaram para tirar a dor deixou-me completamente tonto. Entre as poucas cenas que me vêem à cabeça, a que mais me desperta a atenção é a lembrança de minha esposa pacientemente insistindo para que eu comesse. Digo “insistir” porque eu começava a mastigar a comida que ela trazia com o garfo até mim e logo em adormecia, sem mesmo ter terminado de mastigar. Uma outra lembrança marcante foi a voz de minha avó chorando ao telefone. Aquilo partiu-me o coração.

Dizem que de todo acontecimento ruim, temos que tirar um aprendizado. Pois bem. Esta passagem pelo hospital ensinou-me várias coisas. A primeira delas é que preciso ingerir mais água. Sem ela os exercícios físicos são inúteis. Aprendi também que é nos momentos difíceis que o amor verdadeiro entre homem e mulher se revela. Minha esposa esteve ao meu lado durante toda a minha “estadia” no hospital e cuidou de mim com imensos carinho e atenção. Isso apenas confirma o que eu já sabia: ela é um presente de Deus.

Percebi também que eu preciso dar mais atenção à minha família. Na verdade, tenho uma família imensa, mas quando uso a palavra “família” estou me referindo aos que verdadeiramente se preocupam comigo. Assim como nós distinguimos os amigos dos colegas, precisamos diferenciar a família dos entes familiares. Durante muito tempo isso fiquei muito incomodado com esta diferença, e às vezes ainda sofria com isso. Após minha passagem pelo hospital, aprendi que não tenho que me entristecer pelos entes familiares que não ligam para mim, mas sim alegrar-me por ter uma família que realmente se importa comigo.

Por último, e não menos importante, aprendi que o trabalho não pode ser sempre colocado à frente de tudo. Por mais que eu goste de fazer o que eu faço e por mais prazer que isto me dê, o mais importante é a família. E digo isso sabendo que minha família de verdade é bem pequena, e que em função da idade de meus avós, muito em breve irá tornar-se menor ainda. Minhas prioridades, portanto, mudaram. Acho que aprendi a lição.