domingo, 4 de outubro de 2009

Repensando a vida

Há quinze dias, neste mesmo horário em que escrevo este post, eu estava internado com terrível cólica renal. A dor iniciou-se às 5h30min, quando virei-me na cama. A princípio achei que fosse uma daquelas dores na coluna que tanto me incomodam de vez em quando. Levantei-me e fiz todos os alongamentos que estou acostumado a fazer, mas a dor só parecia aumentar. Senti então meu estômago revirar, então comi um pedaço de bolo. Minha esposa, ao ouvir meus gemidos, acordou preocupada e prontamente identificou que eu estava sofrendo de cólica renal. Imediatamente ela providenciou um remédio para os rins com um copo de leite. Eu os ingeri, mas o estômago recusou. Após o vômito, não tive outra alternativa: fui para o hospital, onde permaneci até as 14h da segunda-feira tomando medicamento para a dor passar e muito soro.

Um dos remédios que me receitaram para tirar a dor deixou-me completamente tonto. Entre as poucas cenas que me vêem à cabeça, a que mais me desperta a atenção é a lembrança de minha esposa pacientemente insistindo para que eu comesse. Digo “insistir” porque eu começava a mastigar a comida que ela trazia com o garfo até mim e logo em adormecia, sem mesmo ter terminado de mastigar. Uma outra lembrança marcante foi a voz de minha avó chorando ao telefone. Aquilo partiu-me o coração.

Dizem que de todo acontecimento ruim, temos que tirar um aprendizado. Pois bem. Esta passagem pelo hospital ensinou-me várias coisas. A primeira delas é que preciso ingerir mais água. Sem ela os exercícios físicos são inúteis. Aprendi também que é nos momentos difíceis que o amor verdadeiro entre homem e mulher se revela. Minha esposa esteve ao meu lado durante toda a minha “estadia” no hospital e cuidou de mim com imensos carinho e atenção. Isso apenas confirma o que eu já sabia: ela é um presente de Deus.

Percebi também que eu preciso dar mais atenção à minha família. Na verdade, tenho uma família imensa, mas quando uso a palavra “família” estou me referindo aos que verdadeiramente se preocupam comigo. Assim como nós distinguimos os amigos dos colegas, precisamos diferenciar a família dos entes familiares. Durante muito tempo isso fiquei muito incomodado com esta diferença, e às vezes ainda sofria com isso. Após minha passagem pelo hospital, aprendi que não tenho que me entristecer pelos entes familiares que não ligam para mim, mas sim alegrar-me por ter uma família que realmente se importa comigo.

Por último, e não menos importante, aprendi que o trabalho não pode ser sempre colocado à frente de tudo. Por mais que eu goste de fazer o que eu faço e por mais prazer que isto me dê, o mais importante é a família. E digo isso sabendo que minha família de verdade é bem pequena, e que em função da idade de meus avós, muito em breve irá tornar-se menor ainda. Minhas prioridades, portanto, mudaram. Acho que aprendi a lição.

3 comentários:

Mary disse...

Muito bom!
Tirar dos acontecimentos ruins lições para nossa vida. As vezes, as doenças aparecem para nos curar...
Alguns psicólogos afirmam que as doenças são criadas por nós, em muitos momentos, como exemplo, as doenças dos rins podem ser o "medo da crítica, do fracasso, desapontamento".
Vale a pensa pensar....

Barbara disse...

Discernimento novo.
É o que crises trazem prá nós.
Prá isso elas servem.
Mas, se quer conhecer meu lado meio natureba, além dos remédios do médico, tome chás para os rins, sua mulher deve conhecer e mais ainda sua avó.
O rim filtra e sua crise nele fez com que você pudesse filtrar o que realmente importa.
Nada vem à toa né?
Cuide-se.
Estou vendo a Mary aqui, uma mulher e tanto e posso apostar sem medo - conheço pessoalmente.

Graziela disse...

Antonio
Que susto em?
Fiquei uns dias sem passar por aqui e quando passo, vejo essa noticia.
Mas que bom que voce ja esta melhor e tirou bons ensinamentos dessa situacao "nao tao boa".
Continue se cuidando e nao deixe que nada nem ninguem tire sua paz de espirito, seu direito de viver bem, ser saudavel e feliz.
Abracos!!!