quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Olhe à sua volta


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Nesta semana estive em um congresso em São Pedro, Estado de São Paulo. O congresso abordava temas diversificados relacionados à área de Química de Produtos Naturais, e contou com a presença de vários pesquisadores estrangeiros. Ficamos em um hotel fazenda, eu e mais três amigos.
Congressos geralmente são ótimas ocasiões para reflexão, porém volto abatido da maioria deles por sempre achar que jamais chegarei ao nível científico dos palestrantes. Não é uma situação muito fácil de lidar, eu confesso. Porém, em um dos intervalos das palestras, eu e um de meus amigos resolvemos jogar tênis de mesa. Ele me dissera que fora campeão, e eu também. Mas isso faz 19 anos!
Começamos então a bater bola. Não foi preciso dizer que estava muito fora de forma – ou diria que desaprendi? Comecei então a me sentir velho, e a tristeza logo me ocorreu. Mas houve um momento que muito me marcou. Em uma de minhas cortadas, a bola foi longe (e sequer bateu na mesa...). Deixei a raquete sobre a mesa, apoiei os dois braços e, cansado, lamentei estar ficando velho. Eis então que olhei para uma mesa não muito longe de onde estávamos jogando e vi uma senhora cuidando de uma moça em uma cadeira de rodas. Era uma moça bonita, maquiada, porém com um olhar triste. Para conversar com sua suposta mãe, a moça utilizada uma placa que estava sobre a mesa. Ela não conseguia falar, apenas apontava com os dedos para cada letra e ia, letra por letra, construindo as frases. Seu olhar era triste e distante. Disseram-me durante o congresso que ela não nascera daquele jeito. Imagino que deve ter ocorrido algo muito grave pra ela ficar naquela condição.
Ao vê-la, senti-me mal agradecido por achar que estar envelhecendo é ruim. O corpo, naturalmente, já não responde como antes, mas continuo saudável e com todos os cinco sentidos perfeitos. Pra falar a verdade, estou até bem para alguém da minha idade. Respirei fundo, balancei a cabeça em sinal de positivo e, cheio de confiança, gritei para o meu amigo: “Vamos lá, manda essa bolinha aqui que eu vou te mostrar como joga tênis de mesa!”

2 comentários:

Barbara disse...

Mais pobre do que a vitalidade do corpo, fica o país, com tanto pesquisador estrangeiro , fuxicando nossa flora.
Patenteiam e depois , é tudo de multinacional .
Permitimos isso.
Comentário desagradável, então é melhor você ir tomando geléia real que as abelhas não serão nunca roubadas, pois nem são deste planeta em origem.
Vide bula.
Elemento "R" - desconhecido da ciência até hoje.
Geléia Real - vitalizadora.
Um abraço.

Ricardo disse...

A moça a quem você se referiu é provavelmente a Luciana Scotti, conheci ela no IQ/USP. Ela conseguiu fazer milagres e mostra muita superação. Quanto à idade, eu sempre penso que ela só me trouxe coisas boas e que não estamos velhos, apenas mais experientes, inteligentes e espertos. Pode ser que um dia a fisiologia inevitavelmente nos vença, mas não estamos neste ponto ainda.
Abraço.