domingo, 26 de dezembro de 2010

O significado do Natal


O mês de dezembro é o mais aguardado do ano. As pessoas começam a se preparar para o Natal já nos primeiros dias deste mês. As casas ficam iluminadas, os prefeitos decoram suas cidades e as lojas ficam abertas até mais tarde. As crianças fazem fila pra visitar o papai Noel em sua casa na praça. É uma época realmente mágica.
Certamente um pouco desta magia vem das propagandas que são anunciadas na televisão. Surgem famílias felizes, protegidas em suas casas bem pintadas e decoradas. Há sempre uma criança, cujos pais são jovens e bem-sucedidos, um cachorro, avós carinhosos e uma enorme árvore ao pé da escada. Supõe-se, então, que o casal more em um sobrado... Ao pé dela, obviamente, há inúmeros presentes. As luzes da casa me parecem mais fracas que as da árvore de Natal. Que família feliz!
Voltemos então à realidade: é necessário um esforço enorme pra reunir a família. Muitos dos parentes que queremos conosco na noite de Natal não fazem sequer o menor esforço para comparecerem, principalmente porque há outras pessoas ali com quem eles brigaram durante do ano. “Se fulano vai estar lá, então não irei.” Ora, não seria essa uma ótima ocasião para uma reconciliação?” Onde está o espírito natalino? A propósito, será que alguém se lembra o que realmente estamos comemorando na noite de Natal? Será que Jesus Cristo realmente nasce nos nossos corações nesta data?
Dizem meus pais e meus avós que “antigamente” (entenda-se: na época deles) todos da família se reuniam no Natal. Segundo eles, os tempos eram tão difíceis que só se bebia Coca-Cola no dia de Natal. Disso eu posso tirar duas possíveis conclusões: ou eles estão idealizando aquela época, varrendo as brigas para debaixo do tapete e lembrando apenas das coisas boas, ou então a situação realmente mudou assim que a situação melhorou. Vivemos uma época de consumismo, onde cada um luta pra ter mais que o outro. Deixadas de lado as merecidas exceções, tanto masculinas como femininas, é bem provável que isso tenha acontecido por causa por uma razão bem simples. Quando um filho se casa, a tendência é que ele se distancie de sua família e se aproxime da família de sua esposa. Cansados das brigas, e no intuito de querer evitá-las, os homens de hoje simplesmente abdicam do diálogo para evitar confusão. “Querido, vamos passar o Natal na casa da mamãe”. “Tudo bem, querida, como você quiser”. Quando a família é grande, o problema se agrava. As mulheres de dois irmãos geralmente não se entendem e acabam colocando os irmãos uns contra os outros. “Você não ta vendo que seu irmão está se passando para trás?”
Assim é o Natal dos dias atuais. Espero que daqui a uns 20 anos eu possa escrever algo diferente sobre o Natal. O que posso escrever aqui é que tive um Natal muito melhor que o de 2008, quando tentamos reunir a família pela primeira vez. E ao contrário do que este post possa sugerir, estou muito feliz pelo Natal que tivemos aqui em casa. Talvez esta felicidade deva-se a um ponto bastante importante: deixei de idealizar o Natal como nas propagandas e valorizar o Natal que acontece de verdade. 

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Acontecimentos importantes

É difícil escrever um post depois de tanto tempo e depois de tantas experiências. Há tanta coisa acontecendo em minha vida... Dois acontecimentos certamente mudaram minha vida:
(1) Fiz uma viagem para a Europa. Sim, eu viajei 12 h de avião sobre o Oceano Atlântico para conhecer Paris e Berlim. Preciso escrever isso com riqueza de detalhes pra não esquecer.
(2) Vou ser pai! O que me parecia pouco provável no momento aconteceu, mostrando que para Deus nada é impossível. Isso me dá novo fôlego pra voltar a escrever aqui no blog. Quem sabe um dia meu filho (ou minha filha) leia essas palavras... Irão ter vergonha de mim ou saberão o quanto eu os amei desde que foram concebidos?
Há muitas notícias boas pra contar. Vou tentar fazer isso aos poucos, até o fim de 2010. Que ano maravilhoso!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Perdas


Os dois últimos meses que se passaram desde que postei as últimas atualizações deste blog foram particularmente difíceis. Um de meus amigos, com quem divido sala no trabalho, perdeu o pai. O mesmo aconteceu com um outro grande amigo dos tempos de pós-graduação. O primeiro destes amigos era muito próximo de seu pai e tinha com ele uma relação parecida com a que tenho com o meu. Eram cúmplices, iam à sauna, faziam churrascos e ficavam bêbados juntos. Embora eu não seja fã de velórios, principalmente por nunca saber ao certo o que dizer, compareci ao dele para demonstrar meus sentimentos ao meu amigo. Presenciei, assim, o seu sofrimento e compartilhei de sua dor. Houve um momento em que ele disse a um dos amigos de seu pai: “Puxa vida, na semana passada a gente ficou bêbado. A gente se abraçou e disse um pro outro: ‘Como eu amo esse cara’... Era a despedida e eu nem me dei conta.”
O meu segundo amigo deu-me a notícia por telefone ontem. Em meio a muitas mudanças, inclusive de trabalho e de endereço, ele recebeu a notícia de que seu pai estava com câncer em estágio terminal. Ao contrário do amigo que mencionei logo acima, este mantinha uma certa distância de seu pai, não porque quisesse, mas pela forma como ele agia. Pelo que me lembro de nossas conversas no quarto em que dividíamos na casa de pós-graduação em que morávamos, esse meu amigo dizia que seu pai, assim como o meu, era caminhoneiro. Tratava-se de um homem embrutecido pela vida, que dificilmente manifestava carinho. Mesmo assim, a frase que ouvi de meu amigo ao telefone deixou-me com o coração partido: “Eu imaginei que por não sermos tão próximos, eu não sentiria a falta dele. Enganei-me”.
Pois bem. Estou com 34 anos. Já não sou mais nenhum rapaz. As rugas começam a tomar conta de meu rosto, meus cabelos – os que ainda sobrevivem em meu couro – começam a perder a cor. Meus joelhos já não são os mesmos e já não tenho aquela disposição para praticar esportes ou cuidar de minha coluna. O trabalho consome a melhor parte de mim. Envelhecer é um processo natural. Nossas forças vão se exaurindo aos poucos até não restar nada, mas nem sempre não nos damos conta disso. Olho para meu sobrinho e lembro de quando eu ia buscar a Débora em sua casa e tinha, antes de sair, que dar uma volta no quarteirão com ele de pé, entre minhas pernas, buzinando. Hoje ele está mais alto que eu, só pensa internet, em sair e “ficar” com as meninas. O cheiro de bebê deu lugar ao chulé, fruto do costume adolescente de não gostar de tomar banho.
Sim, eu estou envelhecendo. Mas não é isso que me preocupa, e não é por isso que escrevo este post. Ao ver a dor desses meus dois amigos por terem perdido seus pais, eu fico imaginando quão terrível serão perder meus pais e meus avós. Nos últimos anos perdi dois tios-avôs, Francisco e Agenor, e meu avô paterno Valter. Mesmo não sendo tão próximo de meu avô Valter, e tendo me mantido calmo durante todo o velório, entrei em desespero quando jogaram a primeira pá de terra sobre seu caixão. Era o fim de tudo. Como sobreviverei à perda de meu pai e de meu avô paterno? Eu os vejo fracos, cheios de problemas de saúde. Meu pai tem 58 anos, é hipertenso e diabético, tem problemas nos rins e esporão. Lembro-me de quão forte ele era. Aos 40 anos, levantava sobre a cabeça um peso de 60 quilos com o braço esquerdo, com uma força que eu jamais terei. Segurava a tampa lateral do caminhão sozinho, trabalhava o dia todo em cima do trator. Um gigante! Meu avô, por sua vez, está com 83 anos, sofre com dores em seu joelho e tem problemas de audição. Dizem que ele trabalhou na pedreira – baita serviço pesado! Eu sei que um dia eles vão partir. Cada dia que se passa é um dia a menos, como se fosse uma contagem regressiva.
Infelizmente não há como se preparar para isso. Como disse o técnico Dunga após a derrota para a Holanda na copa deste ano: “Ninguém treina para perder. Não há como se preparar para a derrota”. A única coisa a fazer é aproveitar o máximo de cada instante ao lado deles, dar-lhes toda a atenção que eu tiver. Não há como evitar as lágrimas e as perdas. Há apenas como evitar o remorso, a sensação de que podia ter feito e não fez. E conviver com a sensação de que não se deu tudo de si, eu imagino, deve ser a pior do mundo, pois não há uma segunda chance.

domingo, 11 de julho de 2010

O caso Bruno e Eliza

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Nos últimos dias o caso do goleiro do Flamengo, que supostamente mandou assassinar a amante, tem sido a bola da vez da mídia brasileira. Não há noticiário da televisão ou página de notícias da internet que não tenha abordado o assunto com riqueza de detalhes. Mais uma vez a imprensa brasileira atua de forma a deixar a população bem informada – e, por que não dizer, intencionalmente chocada? Diante de tantos detalhes, é inevitável que cada brasileiro construa sua versão dos fatos. Eis aqui a minha.
Ele, o goleiro Bruno do Flamengo, parece ter vindo de família muito pobre. Dizem que em nosso país há quatro maneiras de um menino pobre melhorar de vida: estudando, jogando futebol, ganhando na loteria ou traficando drogas. O goleiro, pelo que parece, já acumulava R$150.000,00 mensais jogando como goleiro do time de maior torcida do país. É natural que com o dinheiro venham também as más companhias (que naturalmente vão explorar o “lado negro da força”) e a vontade de usufruir erroneamente do poder que ele o traz. Mesmo casado e com filhos, o tal goleiro passou a promover “festinhas”, onde ocorriam orgias com garotas de programa. Eis que numa dessas festas o goleiro conhece ela, Eliza Samudio, moça pobre que se mudou para os grandes centros em busca de riqueza. Dizem que em nosso país há quatro maneiras de uma mulher pobre melhorar de vida: estudando, ganhando na loteria, tornando-se modelo, mostrando a bunda na televisão ou aplicando o chamado “golpe do baú”. Eliza parece ter tentando ganhar a vida como modelo e como atriz pornô, e mesmo não tendo enriquecido, parece ter se tornado bastante “solicitada” entre jogadores de futebol. Eis sua grande chance de aplicar o “golpe do baú”: engravidar de um boleiro famoso e dele arrancar uma boa pensão mensal. Eliza acabou engravidando de Bruno, mas o (ex)goleiro não apenas se recusou a aceitar a paternidade, como também deu uns tapas na moça e pediu pra que ela abortasse. Raivosa, a moça foi à imprensa e denunciou o goleiro, manchando sua imagem.
O que se segue a partir daí ainda precisa ser esclarecido. De qualquer forma, há fortes evidências de que o goleiro pagou para alguém executar a moça. Bruno está detido provisoriamente e será julgado, podendo pegar até 30 anos de cadeia (o que duvido que vá acontecer, principalmente tendo ele o dinheiro que tem). Suas imagens, mostradas exaustivamente na televisão, mostram-no trajando o macacão laranja de presidiário. O rapaz mantém sua arrogância, com o queixo sempre reto e sem olhar para baixo. Deve saber que em nosso país “nada dá nada”, que vai certamente sair impune desse crime e que em quatro ou cinco, na pior das hipóteses, estará novamente em liberdade.
De tudo isso, fica uma reflexão: por que moças e rapazes não escolhem o estudo como forma de melhorarem de vida? Por que nesse país todo mundo, inclusive os jovens, escolhe o caminho mais fácil? Será que se esquecem que o caminho mais fácil é sempre o mais perigoso?

sábado, 10 de julho de 2010

Homens fortes

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Todos os dias, a caminho do trabalho, vejo pela estrada duas pessoas que sempre me chamam a atenção. Uma delas é um senhor magro, que sempre trafega de bicicleta pela rodovia. Sua aparência acusa uns 70 anos ou mais. Parece ser um senhor de origem humilde, daqueles que sempre trabalhou na roça a vida toda. Sua barba é branca e está sempre por fazer, embora não seja necessariamente grande. Seus dentes aparentemente foram abandonando sua boca ao longo da vida, e a julgar pela forma como sorri para mim quando nos cruzamos pelo caminho, me parece que não usa dentadura. Sempre alegre e trajando sempre boné, o que dá a impressão de estar indo para o trabalho na roça, este senhor sempre aparece pelo caminho, sempre nos mesmos trechos da rodovia. Ao longo do tempo deduzi que ele mora em uma cidade próxima e que todos os dias segue em direção a um altar de Nossa Senhora montado à beira da rodovia. Imagino que ele deve ter recebido um milagre e que, para cumprir a promessa, para lá se dirige todos os dias. Certo dia o via ajoelhado ao pé do altar, com as mãos levantadas para cima. Daí vem certamente seu sorriso. Para ele estar vivo e ter saúde pra ir diariamente agradecer pelo milagre já é razão mais que suficiente para alegrar-se.
Em um outro trecho da rodovia, bem mais à frente, sempre me deparo com um senhor de chapéu preto, que muito me faz lembrar meu querido tio Chiquinho. Talvez este segundo senhor seja um pouco mais velho que o primeiro,  mas a julgar pelo seu traje, dá pra ver que é um pouco mais vaidoso. Sempre com camisa e calça de linho, e com um pacote nas mãos, este senhor de pernas arqueadas como as minhas e a do Garrincha percorre pelo menos uns 5 km diariamente. A julgar pelo pacote que trás nas mãos, eu ousaria dizer que ele mora em algum sítio na beira da rodovia e que segue diariamente até alguma padaria na cidade para buscar alguma coisa, talvez pão.
Estes homens sempre me fazem lembrar de meus avôs. O vovô Crotti era um homem magro.Trabalhou até os 75 anos como motorista de caminhão, e não fosse o cigarro, acredito que teria vivido até os 100 anos. Embora não bebesse, adorava uma sanfona e um forró. Era um ótimo dançarino. Meu avô Miller, por sua vez, já passou dos 80 anos. Todas as manhãs ele coloca seu chapéu e sai com sua bicicleta pela cidade, segue até a casa da mamãe e vem subindo devagar, parando para conversar pelo caminho. Até hoje sobe em árvores e em cima da casa, coisa que com a minha idade eu nunca tive coragem de fazer por causa do medo de altura. Além da cachacinha que bebe diariamente, todos os dias ele se senta com meu tio Lazinho, seu irmão, e os dois bebem duas cervejas enquanto conversam.
Cada um destes homens fortes me passam um ensinamento diferente com seus estilos de vida diferentes. Aos 34 anos, sentado no chão da sala em frente ao notebook, eu fico me perguntando se chegarei a viver tantos anos, e se o fizer, como estará minha saúde até lá. Sinto ainda fortes dores na coluna, talvez fruto do tempo que passo diariamente sentado. Nenhum deles conheceu computadores, internet, celulares, mp3 ou ipods. Mas olhando para eles e para suas vidas, eu fico me perguntando até que ponto vale a pena viver em meio à tecnologia. Os homens que mencionei tornaram-se fortes sem precisar de e-mails ou de Google. Eles passavam todo o tempo livre junto às suas famílias, e não em frente ao monitor de um computador fazendo compras on line ou assistindo vídeos do Youtube. Mesmo assim, eu os vejo como homens fortes e tenho por eles um grande respeito. Mas será que as próximas gerações nos verão como homens fortes também? Ou será que este respeito por gerações anteriores está entrando em extinção?

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Relembrando os velhos tempos

Sábado, 24 de abril de 2010. 7h35min. Estou atrasado para as aulas. Isso não acontecia tempos atrás, quando eu era apenas um aluno. Agora que sou professor e as coisas começaram a sair do meu controle, a situação parece ser um pouco diferente. Tenho 55 min pra abastecer o carro e enfrentar 60 km de uma pista simples e perigosa, repleta de caminhões carvoeiros e canavieiros. O jeito vai ser tirar a diferença no pedal do acelerador.
8h35min. Estou, enfim, na sala de aula. Quase no horário! Os alunos estão me aguardando fora da sala de aula. Sigo até o setor de multimídia para pegar a chave e retorno rapidamente. Os alunos se acomodam e eu começo a explicar os tão temidos mecanismos de fragmentação. O assunto é complexo, eu me esforço ao máximo para simplificar, abrindo inclusive mão de alguns formalismos. Muitos alunos interrompem a aula solicitando que não haja prova. Isso acontece todos os anos; ao invés de sentar e estudar, a maioria deles prefere propor alternativas mais fáceis. Tento explicar novamente o conteúdo, mas eles parecem estar bloqueados só de saberem que vai haver prova. Tento acalmá-los, mas eles parecem decididos. O cansaço vai aos poucos minando minha paciência. Já são 12h45min e está difícil me controlar.
13h40min. Estou na estrada em que tantas vezes viajei de ônibus ao lado de minha saudosa amiga Ana Cláudia, em direção a Ribeirão Preto. Lá alguns ex-colegas de moradia irão se reunir em um churrasco. Sei que vão beber e que vamos nos lembrar dos velhos tempos de pós-graduação. Disseram-me pra ir preparado para jogar futebol, mas estou preparado para não jogar. Jogar em meio a bêbados não funciona, principalmente quando se é o único que não ingere bebidas alcoólicas.
14h45min. Estou ao portão da casa onde vão fazer o churrasco. O “Alvim” vem receber-me. Parece animado. Logo em seguida vem o “Pancinha” me abraçando, com as mãos totalmente engorduradas; ele é o churrasqueiro. Dentre os demais rostos os únicos que reconheço são do “Rondinelli”, cuja maior lembrança que tenho é de ter namorado um mês uma moça sem saber o nome dela, e da Luciane, esposa do Pancinha. Apesar dos poucos, damos boas risadas. Como nos bons tempos.
15h45min. Estou na estrada, de volta para casa. Os carros e a estrada chamam-me pouco a atenção. Meus pensamentos estão na época de pós-graduação, tão sofrida e ao mesmo tempo tão frutífera e divertida. Estou me lembrando das inúmeras experiências junto aos colegas de pós-graduação. Quantos jogos de futebol nas noites de terças-feiras. Quantas e quantas madrugadas passadas na varanda contando piadas e “tirando sarro” uns dos outros. São tantas as boas lembranças que agora tenho a impressão de que tudo era perfeito (é só impressão, pois sabemos que nada é perfeito). Sem dúvida foram os meus “anos dourados”. Hoje me dei conta de que o tempo se passou, cada um de nós seguiu sua vida e tomou seu próprio rumo. Espero que todos estejam bem e felizes. E espero que mesmo não estando hoje presentes, que se lembrem de como foram bons aqueles tempos difíceis.

domingo, 9 de maio de 2010

Querido blog...


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Infelizmente não tenho tido tempo pra escrever ultimamente. Mergulhei-me em uma rotina de trabalho intensa que vem me ocupando quase que por completo. Sempre fui muito dedicado ao que eu faço, e como costumam dizer, trabalhar com o que a gente gosta é quase que não trabalhar. A boa notícia é que eu voltei a jogar futebol. Era uma das minhas metas para esse ano. Aliás, nos últimos dois jogos fiz até alguns gols. Estou feliz por estar de volta. Vamos ver até quando...
Em minhas viagens ao trabalho vou ouvindo músicas no rádio do carro. Compilei músicas dos anos 70, 80, 90, pop e rock, além de algumas músicas eletrônicas recentes com que me identifico. Mas as músicas dos anos 80 são as que eu mais ouço. Tenho a sensação de que cada uma delas me leva de volta à época de escola e, principalmente, ao clube da Baixada onde passei quase que todas as minhas tardes, sábados e domingos do período de 1998 a 1991. O clube fica muito próximo à casa de meus pais, então passo perto dele sempre que vou visitar meus pais. Infelizmente o clube está anos luz de ser o que foi na minha adolescência. Está quase que abandonado, com poucos sócios. Nas poucas vezes que fui lá recentemente havia menos de uma dúzia de pessoas, entre sócios e funcionários. Isso me faz refletir sobre o fato de que muitas pessoas e muitos lugares que conhecemos ao longo de nossas vidas permanecem vivos apenas em nossas lembranças. Minha primeira namorada, por exemplo, não existe mais. Não a vejo desde os 15 anos, mas ouvi dizer que engravidou, foi morar com um cara, separou-se, perdeu-se e, enfim, voltou para a casa dos pais. Dizem que está muito gorda – o que não dá pra imaginar, já que ela era um palito quando éramos namorados há 18 anos.
O fato é que eu vivo amarrado às minhas lembranças do passado. Prestes a completar 34 anos, às vezes ainda me sinto que ainda não amadureci. Embora eu não confie mais nas pessoas, não é raro eu me comportar de forma ingênua, o que muitas vezes me deixa exposto às manipulações. Muitos já me contaram mentiras para fazer com que eu tomasse certas atitudes, que eu tomei por confiança. Aqui neste país as pessoas parecem pensar apenas em tirar vantagem de tudo e de todos. Somente os espertos, os desonestos e os ladrões é que são valorizados. É justamente por isso que eu preciso passar um tempo em um país de primeiro mundo. Espero poder fazer isso no ano que vem.
Hoje é dia das mães. Vou visitar minha mãe, minhas avós e minha sogra e dar-lhes um abraço, desejando que vivam por muitos anos e permaneçam doces como são.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Cirurgia volume 3 - parte 1


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Quinta-feira da semana santa. Daqui a três dias será Páscoa. Amanhã minha irmã virá de Cosmópolis para almoçar conosco. A família estará novamente reunida para celebrarmos nossa união.
São 15h30min. Acabo de chegar do trabalho. Estou pelas ruas da cidade, em direção ao “boteco” chamado “Rei do Quibe”. Pelo nome do estabelecimento já dá pra imaginar o que estou indo buscar. Sei que quando chegar em casa, Débora estará com fome. E assistir a Medical Detectives faminto não é uma boa idéia.
15h55min. Estou sentado no chão da sala, com um quibe na mão. Ao meu lado Débora começa a degustar o seu. Brincamos um com o outro. Coisas bobas do tipo “você tá com tanta fome que ta comendo pelo nariz!”, mas que nos tornam um casal muito feliz.
16h15min. O telefone toca. Eu imagino que deva ser a mamãe, preocupada por eu ainda não ter ligado pra ela avisando que cheguei. Quando atendo, percebo que ela está com voz grave. “O que você vai fazer agora?” Explico-lhe que acabei de chegar do trabalho e que estou “curtindo” o pouco tempo que tenho ao lado da Débora. “Acharam onde está a pedra do seu pai. Ela desceu para o canal, está encravada. Ta formando puz. O médico vai operá-lo esta noite e eu preciso que você fique lá com ele.” A notícia me deixa abalado. Operação? Meu Deus do céu! Outra? Será a terceira que meu pai fará. A primeira foi para remover um câncer, a segunda foi para remover um cálculo renal. Digo o que preciso e o que ela quer ouvir. “Diga ao papai que eu fico com ele. Vou tomar banho. Às 17h estarei no hospital.
Assim que coloco o telefone no gancho lembro-me da “profecia” de meu pai. “Filho, eu vou morrer com 57 anos. Um frio me percorre a coluna. Meu Deus do céu!

quinta-feira, 18 de março de 2010

Sky


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Onde estive todo este tempo? Essa é a pergunta que me faço agora...
Talvez estivesse triste, sem vontade de escrever. E neste caso a máxima de que a tristeza desaparece quando se escrever não se aplica. Talvez eu tenha apenas me retirado, dado um tempo pra mim mesmo. De qualquer forma, hoje senti uma vontade imensa de voltar a escrever... e aqui estou!
Enquanto escrevo estas palavras na sala aqui de casa, ouço “Bless the beasts and children”, do Carpenters, música esta que eu nem conhecia. Está tocando na televisão, em um dos canais da Sky. Pois vejam como são as coisas... No início do ano passado tomei coragem e contratei o serviço por assinatura. Recebi um telefonema de uma moça afirmando que estavam com parceria com a empresa de telefonia e que haveria um desconto. Ora, como descobriram o meu telefone? A moça foi logo pedindo o número do meu cartão de crédito e de CPF. Aos poucos fui ficando meio desconfiado. Vasculhei então um daqueles e-mails que algum amigo sempre envia para nos alertar para as ameaças que nos rondam via telefone e acabei encontrando um que falava do serviço da Sky. Segundo o tal e-mail alguém ligava na residência e agendava um horário para a instalação do serviço, e quando o portão era aberto... mãos para o alto! Fiquei espantado com a semelhança do que estava escrito no e-mail com o rumo que as coisas estavam tomando comigo, e justamente por isso relutei várias e várias vezes até decidir “encarar”. Minha esposa ficou desconfiadíssima, com muito medo. Quando o interfone tocou, na tarde do dia 31 do ano passado, disse a ela para ficar no quarto e fechar a porta. Peguei então uma enorme faca e um rolo de salame italiano e segui para o portão. Acho que você consegue imaginar a reação dos três rapazes, devidamente uniformizados e com o aparelho da Sky nas mãos, quando me viram com uma faca daquele tamanho nas mãos. Ao ver a cara de espanto deles, não me restou alternativa. “E aí, vai um salaminho aí?”
No final das contas, acabamos nos tornando amigos. Dei um bombom para cada um deles e algumas latas de cerveja que estavam na geladeira há algum tempo. Enquanto eles instalavam a antena e o conversor, falamos algumas besteiras e demos boas risadas. Mas quem até hoje ri sou eu quando me lembro do mico que paguei naquele dia, saindo ao portão sem camisa, com um rolo de salaminho nas mãos... e com uma faca!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Natal e passagem de ano


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Natal e reveillon se foram e não foram empolgantes como no ano passado, em que consegui reunir boa parte da família aqui em casa. Por outro lado, ao contrário dos outros anos, não fiquei tão chateado. Percebi que o tal “espírito natalino” tornou-se hoje em dia apenas comercial. Aquelas imagens de uma família reunida sentada à mesa servem apenas para fazer a gente olhar pras nossas famílias e dizer: “Puxa vida, como minha família é desunida!” Na verdade, não conheço nenhuma família grande que é unida. Espero que algum leitor que passe por aqui deixe algum comentário dizendo o contrário.
Perspectivas para 2010? Trabalho e muito trabalho. Será um ano importantíssimo, que certamente passará mais rápido ainda que 2009. Mas estou muito otimista e muito motivado. Agradeço a Deus por ter oportunidade de trabalhar e de ganhar o sustento para minha família. Espero ter saúde pra trabalhar bastante e que não tenha novamente problemas com labirintite, rins, intoxicação alimentar e que as usuais travadas na coluna não me incomodem tanto. Gostaria também de poder voltar a jogar futebol sem sentir dor. Era o único esporte que eu gostava de verdade.