quinta-feira, 22 de abril de 2010

Cirurgia volume 3 - parte 1


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Quinta-feira da semana santa. Daqui a três dias será Páscoa. Amanhã minha irmã virá de Cosmópolis para almoçar conosco. A família estará novamente reunida para celebrarmos nossa união.
São 15h30min. Acabo de chegar do trabalho. Estou pelas ruas da cidade, em direção ao “boteco” chamado “Rei do Quibe”. Pelo nome do estabelecimento já dá pra imaginar o que estou indo buscar. Sei que quando chegar em casa, Débora estará com fome. E assistir a Medical Detectives faminto não é uma boa idéia.
15h55min. Estou sentado no chão da sala, com um quibe na mão. Ao meu lado Débora começa a degustar o seu. Brincamos um com o outro. Coisas bobas do tipo “você tá com tanta fome que ta comendo pelo nariz!”, mas que nos tornam um casal muito feliz.
16h15min. O telefone toca. Eu imagino que deva ser a mamãe, preocupada por eu ainda não ter ligado pra ela avisando que cheguei. Quando atendo, percebo que ela está com voz grave. “O que você vai fazer agora?” Explico-lhe que acabei de chegar do trabalho e que estou “curtindo” o pouco tempo que tenho ao lado da Débora. “Acharam onde está a pedra do seu pai. Ela desceu para o canal, está encravada. Ta formando puz. O médico vai operá-lo esta noite e eu preciso que você fique lá com ele.” A notícia me deixa abalado. Operação? Meu Deus do céu! Outra? Será a terceira que meu pai fará. A primeira foi para remover um câncer, a segunda foi para remover um cálculo renal. Digo o que preciso e o que ela quer ouvir. “Diga ao papai que eu fico com ele. Vou tomar banho. Às 17h estarei no hospital.
Assim que coloco o telefone no gancho lembro-me da “profecia” de meu pai. “Filho, eu vou morrer com 57 anos. Um frio me percorre a coluna. Meu Deus do céu!

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