sábado, 10 de julho de 2010

Homens fortes

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Todos os dias, a caminho do trabalho, vejo pela estrada duas pessoas que sempre me chamam a atenção. Uma delas é um senhor magro, que sempre trafega de bicicleta pela rodovia. Sua aparência acusa uns 70 anos ou mais. Parece ser um senhor de origem humilde, daqueles que sempre trabalhou na roça a vida toda. Sua barba é branca e está sempre por fazer, embora não seja necessariamente grande. Seus dentes aparentemente foram abandonando sua boca ao longo da vida, e a julgar pela forma como sorri para mim quando nos cruzamos pelo caminho, me parece que não usa dentadura. Sempre alegre e trajando sempre boné, o que dá a impressão de estar indo para o trabalho na roça, este senhor sempre aparece pelo caminho, sempre nos mesmos trechos da rodovia. Ao longo do tempo deduzi que ele mora em uma cidade próxima e que todos os dias segue em direção a um altar de Nossa Senhora montado à beira da rodovia. Imagino que ele deve ter recebido um milagre e que, para cumprir a promessa, para lá se dirige todos os dias. Certo dia o via ajoelhado ao pé do altar, com as mãos levantadas para cima. Daí vem certamente seu sorriso. Para ele estar vivo e ter saúde pra ir diariamente agradecer pelo milagre já é razão mais que suficiente para alegrar-se.
Em um outro trecho da rodovia, bem mais à frente, sempre me deparo com um senhor de chapéu preto, que muito me faz lembrar meu querido tio Chiquinho. Talvez este segundo senhor seja um pouco mais velho que o primeiro,  mas a julgar pelo seu traje, dá pra ver que é um pouco mais vaidoso. Sempre com camisa e calça de linho, e com um pacote nas mãos, este senhor de pernas arqueadas como as minhas e a do Garrincha percorre pelo menos uns 5 km diariamente. A julgar pelo pacote que trás nas mãos, eu ousaria dizer que ele mora em algum sítio na beira da rodovia e que segue diariamente até alguma padaria na cidade para buscar alguma coisa, talvez pão.
Estes homens sempre me fazem lembrar de meus avôs. O vovô Crotti era um homem magro.Trabalhou até os 75 anos como motorista de caminhão, e não fosse o cigarro, acredito que teria vivido até os 100 anos. Embora não bebesse, adorava uma sanfona e um forró. Era um ótimo dançarino. Meu avô Miller, por sua vez, já passou dos 80 anos. Todas as manhãs ele coloca seu chapéu e sai com sua bicicleta pela cidade, segue até a casa da mamãe e vem subindo devagar, parando para conversar pelo caminho. Até hoje sobe em árvores e em cima da casa, coisa que com a minha idade eu nunca tive coragem de fazer por causa do medo de altura. Além da cachacinha que bebe diariamente, todos os dias ele se senta com meu tio Lazinho, seu irmão, e os dois bebem duas cervejas enquanto conversam.
Cada um destes homens fortes me passam um ensinamento diferente com seus estilos de vida diferentes. Aos 34 anos, sentado no chão da sala em frente ao notebook, eu fico me perguntando se chegarei a viver tantos anos, e se o fizer, como estará minha saúde até lá. Sinto ainda fortes dores na coluna, talvez fruto do tempo que passo diariamente sentado. Nenhum deles conheceu computadores, internet, celulares, mp3 ou ipods. Mas olhando para eles e para suas vidas, eu fico me perguntando até que ponto vale a pena viver em meio à tecnologia. Os homens que mencionei tornaram-se fortes sem precisar de e-mails ou de Google. Eles passavam todo o tempo livre junto às suas famílias, e não em frente ao monitor de um computador fazendo compras on line ou assistindo vídeos do Youtube. Mesmo assim, eu os vejo como homens fortes e tenho por eles um grande respeito. Mas será que as próximas gerações nos verão como homens fortes também? Ou será que este respeito por gerações anteriores está entrando em extinção?

2 comentários:

dowloadssuper disse...

muitoo bom

dowloadssuper disse...

muitoo bom me ajudo bastante!!!