sexta-feira, 9 de julho de 2010

Relembrando os velhos tempos

Sábado, 24 de abril de 2010. 7h35min. Estou atrasado para as aulas. Isso não acontecia tempos atrás, quando eu era apenas um aluno. Agora que sou professor e as coisas começaram a sair do meu controle, a situação parece ser um pouco diferente. Tenho 55 min pra abastecer o carro e enfrentar 60 km de uma pista simples e perigosa, repleta de caminhões carvoeiros e canavieiros. O jeito vai ser tirar a diferença no pedal do acelerador.
8h35min. Estou, enfim, na sala de aula. Quase no horário! Os alunos estão me aguardando fora da sala de aula. Sigo até o setor de multimídia para pegar a chave e retorno rapidamente. Os alunos se acomodam e eu começo a explicar os tão temidos mecanismos de fragmentação. O assunto é complexo, eu me esforço ao máximo para simplificar, abrindo inclusive mão de alguns formalismos. Muitos alunos interrompem a aula solicitando que não haja prova. Isso acontece todos os anos; ao invés de sentar e estudar, a maioria deles prefere propor alternativas mais fáceis. Tento explicar novamente o conteúdo, mas eles parecem estar bloqueados só de saberem que vai haver prova. Tento acalmá-los, mas eles parecem decididos. O cansaço vai aos poucos minando minha paciência. Já são 12h45min e está difícil me controlar.
13h40min. Estou na estrada em que tantas vezes viajei de ônibus ao lado de minha saudosa amiga Ana Cláudia, em direção a Ribeirão Preto. Lá alguns ex-colegas de moradia irão se reunir em um churrasco. Sei que vão beber e que vamos nos lembrar dos velhos tempos de pós-graduação. Disseram-me pra ir preparado para jogar futebol, mas estou preparado para não jogar. Jogar em meio a bêbados não funciona, principalmente quando se é o único que não ingere bebidas alcoólicas.
14h45min. Estou ao portão da casa onde vão fazer o churrasco. O “Alvim” vem receber-me. Parece animado. Logo em seguida vem o “Pancinha” me abraçando, com as mãos totalmente engorduradas; ele é o churrasqueiro. Dentre os demais rostos os únicos que reconheço são do “Rondinelli”, cuja maior lembrança que tenho é de ter namorado um mês uma moça sem saber o nome dela, e da Luciane, esposa do Pancinha. Apesar dos poucos, damos boas risadas. Como nos bons tempos.
15h45min. Estou na estrada, de volta para casa. Os carros e a estrada chamam-me pouco a atenção. Meus pensamentos estão na época de pós-graduação, tão sofrida e ao mesmo tempo tão frutífera e divertida. Estou me lembrando das inúmeras experiências junto aos colegas de pós-graduação. Quantos jogos de futebol nas noites de terças-feiras. Quantas e quantas madrugadas passadas na varanda contando piadas e “tirando sarro” uns dos outros. São tantas as boas lembranças que agora tenho a impressão de que tudo era perfeito (é só impressão, pois sabemos que nada é perfeito). Sem dúvida foram os meus “anos dourados”. Hoje me dei conta de que o tempo se passou, cada um de nós seguiu sua vida e tomou seu próprio rumo. Espero que todos estejam bem e felizes. E espero que mesmo não estando hoje presentes, que se lembrem de como foram bons aqueles tempos difíceis.

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