quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Viagem para a Europa - Parte 1


24 Agosto de 2010. Esta será uma data que eu jamais me esquecerei. Será a primeira vez que entro em um avião para cruzar o Oceano Atlântico. Não vou negar que sinto um frio na barriga quando penso que vamos passar praticamente 10 h sobre o mar a 13 km de altura e a mais de 900 km por hora. Mas não posso transparecer insegurança. Débora está comigo e está muito animada. Esta será nossa primeira viagem internacional. Estamos a caminho de Paris, a capital mundial da moda. Faço idéia do que isso deve significar pra uma mulher. A propósito, esta também é a primeira viagem dela em um avião...
Estamos em seis pessoas. Além de Débora e eu, estão também Rodrigo, Carlos, Serjão e Crevelin. Os três primeiros são bem mais que colegas de trabalho, e o último é bem mais que um colega de futebol. Somos todos amigos. E viajar em uma turma de amigos responsáveis... ah, isso é bom demais!
Débora e eu acordamos cedo, por volta das 4h da manhã. Precisamos arrumar as malas, tomar café da manhã e pegar a estrada até Ribeirão Preto. Combinamos de deixar o carro no condomínio onde mora o Serjão. De lá rumaremos para São Paulo, de onde sairá o avião.
Num piscar de olhos, estamos dentro da van, a caminho de São Paulo. Há um clima de euforia. Todos rimos sem qualquer motivo aparente. Acho, inclusive, que todos estamos com um friozinho na barriga. Na televisão da van está passando o filme “Alice no país das maravilhas”, com Johnny Deep, mas ninguém dá atenção.
Eis que estamos no aeroporto. A van abre suas portas e nos deixa no lado oposto onde faremos o check in. Temos então que atravessar o aeroporto praticamente inteiro empurrando as malas. Feito o check in, sentimos uma fome enorme e saímos à procura de comida. Decidimos comer um lanche do McDonald’s. Sigo a opção do Serjão e acabo escolhendo um tal de “chicken classic”. Poucos minutos depois de pagar um preço abusivo pelo maldito lanche, cá estou na mesa com o lanche aberto separando cebolas roxas enormes da parte realmente comestível do lanche.
Passamos então pela alfândega. Vejo então que não tenho nada de valor. Quando vamos apresentar os passaportes, a primeira gafe: eu e a Débora trocamos os passaportes. Nos rostos sérios das atendentes vejo desenhados dois sorrisos largos, seguidos de gargalhadas. “Moça, não ri, não”, digo, pra que elas saboreiem sua sessão de risos.
Passamos então pelo “duty free”, uma área dentro do aeroporto que antecede o embarque. Lá se compra tudo mais barato. Dizem que é uma área livre de taxas. Débora compra alguma coisa pra maquiagem, enquanto eu me desloco discretamente para o banheiro, onde permaneço na posição de rei por quase 15 min.
Já avistamos o avião onde permaneceremos nas próximas 12 h. É um avião da Air France. Um dos companheiros faz uma piada totalmente fora de hora e lembra do avião da Air Force que caiu no Oceano Atlântico há um ou dois anos atrás e ninguém consegui encontrar sequer os destroços. Mas agora é tarde pra recuar... e já estamos dentro do avião...
O avião tem mais de quatrocentos lugares. Há a primeira classe – ou classe executiva – e a segunda classe, onde estamos. A nossa classe é a que fica mais próxima da cauda do avião. Sentamos eu e a Débora juntos. Atrás de nós senta-se o Carlos, e nas poltronas de trás estão o Rodrigo (janelinha), Sérgio (no meio) e o Crevelin (na ponta). Em pouco tempo senta-se um francês ao nosso lado. Não dá pra entender nada do que o cara fala. Só pra ajudar, ele não fala inglês. É o primeiro indício de que francês não gosta de inglês, provavelmente por razões históricas. “Se todo mundo for assim lá em Paris, nós estamos ferrados!”, digo a mim mesmo.
Mas não é só. Enquanto todos os outros colegas estão assistindo ou ouvindo alguma coisa, nossas televisões não estão funcionando. Olho para trás e vejo que todos estão se distraindo. Meu desconforto fica maior ainda quando percebo que o espaço entre as poltronas é pequeno. De repente, o francês que está sentado ao lado da Débora começa a nos chama e diz alguma coisa em espanhol, que eu não entendo. Ele também parece nervoso por não estar assistindo à televisão. Putz... estou vendo que essa será uma looooooooonga.... viagem.
(to be continued...)

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