terça-feira, 6 de setembro de 2011

Há muito o que fazer


Terça-feira, 6 de setembro de 2011. São 15h. Cá estou novamente em frente ao monitor do notebook lutando para publicar os artigos de meu projeto de pesquisa. É, é isso que eu faço pra garantir o pão de cada dia. Há um aqui em particular que está me deixando de cabelo em pé. Já o submeti duas vezes para publicação. Na primeira, o editor sugeriu que eu o reescrevesse e o submetesse como artigo de pesquisa. Assim o fim. E adivinha? Agora ele sugeriu que eu submetesse como comunicação rápida. É brincadeira?
Meus olhos já não ardem mais como há semanas atrás. Troquei as lentes de contato pelos óculos, que embora muito leves, sempre me colocam em situações constrangedoras. Ontem, por exemplo, enquanto comia um lanche no jantar, fui espantar um mosquito que me incomodava e acabei tocando nos óculos. Eles foram parar a uns dois metros de distância, nos pés de alguém que passava e, sem querer, quase os pisotearam. De qualquer forma, os óculos aliviaram minha dor de cabeça. A labirintite também foi desapareceu. Pelo menos por enquanto...
20h25min. Estou em sala de aula. Os alunos estão agitados, pois terão que apresentar trabalho para a disciplina de Físico-Química. É difícil mantê-los concentrados quando isso acontece. Alguns vieram me pedir esclarecimentos sobre os trabalhos. Pobres coitados. Mal sabem que quando se é doutor em alguma coisa, sabe-se muita coisa de uma pequena área da ciência... Eis que bate à porta um aluno do 4º. ano. É um dos alunos mais velhos do curso – aliás, é mais velho que eu... Curiosamente, é um dos poucos alunos negros do curso. Pois é, nosso país ainda é um país de oportunidades desiguais... Ele me avista e pergunta se pode falar comigo após a aula. Disse que quer pedir um conselho pessoal. Vejam então vocês: em meio a tantos problemas, alguém me procura e pede minha ajuda. Em meio à complexidade do meio acadêmico e científico, surge alguém que me considera em condições de ajudá-lo. Ora, isso não é uma casualidade. É, sem dúvida, uma grande honra. É, sem dúvida, mais uma das bênçãos que Deus segue derramando em minha vida.

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