segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O passado sempre presente


Segunda-feira, 5 de setembro de 2010. Estou trabalhando em minha sala aqui na universidade. É o que eu venho fazendo há seis anos. Poucos são privilegiados de fazerem o que gostam. Bom, é também verdade que eu aprendi a gostar do que eu faço. De qualquer forma, cá estou eu. Aos 35 anos. Lá em casa minha esposa e meu filho me aguardam. Deus comprovou novamente Sua bondade para comigo e trouxe o Miguel à minha imagem e semelhança. Minha mãe chora quando o vê. Meu pai se emociona. Meus avós e minha tia ficam extasiados. Dizem estar vivendo novamente a emoção que sentiam quando eu era bebê.
À minha frente está um monitor repleto de palavras em inglês, que traduzidas significam “puta merda, cara, como você é esforçado!”. Certo, eu não entendo muito de inglês. Após três anos pagando aulas particulares de conversação, confesso que não evoluí muito. Mal tenho tempo pra checar as palavras que aprendo durante as aulas... E é justamente por isso que nem sei como cheguei até aqui...
Meus pensamentos vão divagando, e de repente saio de mim. Vou para bem longe, para uma época que não volta mais. Sou criança, talvez quatro ou cinco anos. Com meu pequeno chapéu de palha e minhas botinas, à semelhança de meu pai, caminho pela plantação de milho perto de onde morei, em Quirinópolis-GO. Os pequenos pés de milho me parecem tão grandes... As palmeiras, então, que meu pai não teve coragem de arrancar, parecem chegar até o céu. Logo avisto a enorme mangueira. Logo ali está a casa da dona Deolinda. Agora me vejo dentro da casa dela, na cozinha. Avisto o fogão de lenha. Da porta da cozinha avisto as enormes mangueiras, cujas sombras trazem um frescor inigualável. Sinto um nó na garganta. Os olhos ficam rasos em lágrimas. Ouço o Outlook avisando que há um novo e-mail pra abrir. Em meio a tantas conquistas, em meio a tantas vitórias, conseguidas em meio a tanto esforço, vejo que há coisas que o tempo leva e não traz de volta. A inocência e a ingenuidade quase se extinguiram de mim. E o pouco do que resta dessas virtudes infantis hoje me fazem sofrer. Ou me deixam vulnerável, susceptível a ser manipulado por colegas que se denominam meus amigos, ou me trazem lembranças de uma época em que eu era feliz com muito pouco.

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