quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Minhas professoras - parte 2

Dona Dalva foi minha professora en 1985 e 1986, na 3ª e na 4ª séries do ensino fundamental. Assim como a dona Neide, ela também havia sido professora de minha mãe. Embora eu guarde grande respeito e consideração pela dona Nadir e pela dona Neide, tenho dona Dalva como uma verdadeira "mãezona". Além de ser uma ótima professora, era rígida como tinha que ser e sabia ser gentil quando precisava. Foi ela quem me salvou das brigas com o Paçoca e com o Betinho. Basta fechar de olhos para eu voltar à última sala do lado direito do segundo andar do bloco esquerdo da escola Manoel Gouveia de Lima, onde eu me sentava na última carteira. Na época, obviamente, eu ainda conseguia enxergar tudo o que ela escrevia na lousa sem precisar de óculos ou de lentes de contato. Quanta saudade...
No ano seguinte, em 1987, conheci as duas professoras que mais me marcaram, e que tiveram a maior importância na minha formação escolar. As professoras Maria Auxiliadora da Rocha Corradini e a professora Ana Maria de Carvalho Perez foram as grandes responsáveis pela minha formação em Língua Portuguesa e Matemática, respectivamente. Sempre elegante, a dona Auxiliadora, como era conhecida, andava com as unhas feitas e com o cabelo sempre arrumado, na altura dos ombros. Já na quinta-série indicava livros pra gente ler e marcava um dia para o discutirmos na forma de seminário. Ensinava-nos as regras de pontuação, concordância, acentuação e tudo o que eu sei sobre Gramática da Língua Portuguesa. Aliás, devo ressaltar que é melhor utilizar o verbo saber no passado, pois com as mudanças nas regras, hoje estou totalmente desorientado. Ela sempre dizia que ninguém tirava A na prova dela. Acostumado a lidar com os desafios que o papai sempre me impôs, lembro-me de sempre levar as provas dela para ele assinar. Eram sempre as melhores da turma. Pois é, um dos únicos alunos analfabetos da 1ª. série viera a tornar-se o melhor aluno da turma. Bons tempos... Como a dona Auxiliadora morava há uma esquina de casa, minha mãe a via sempre indo pra escola. Mais um bom motivo pra eu ter andado na linha nos quatro anos em que ela foi minha professora. Não sei se terei oportunidade de dizer isso a ela pessoalmente, mas minha gratidão para com ela é imensa.
Quanto à dona Ana, fica difícil expressar a grandeza do sentimento e do respeito que tenho por ela. Seus dois filhos, os gêmeos Fábio e a Fabiana, e seus dois sobrinhos, Anderson Perez e Fábio Turazza, estudavam na mesma sala que eu. Considero que isso foi um privilégio, pois ela ofereceu pra gente uma Matemática de altíssimo nível - afinal, estava ensinando aos seus próprios filhos. Ao término da 8ª. série, alguns alunos foram prestar Vestibulinho no Anglo pra conseguir descontos no colegial. Eu fiquei em 13º dentre os 250 que prestaram. Pena que eram apenas 5 bolsas... A dona Ana exigia que a gente fizesse um livrinho com fórmulas – ela dizia que iríamos usá-lo pela vida toda – e deixava um dia da semana pra gente estudar Geometria. Devo o que sei sobre Matemática a ela. Apesar de tudo, foi sua atitude na 8ª. série que mais me marcou. Precisavam de um aluno pra ser o orador da turma. Mesmo com seus filhos e sobrinhos, ela acabou me escolhendo. Justamente eu, o mais tímido de todos... “Mas dona Ana, eu...”, ia eu desistindo quando ela me interceptou com um sonoro  “Não quero saber. Vai ser você mesmo. Te vira!” No dia da formatura, acabei fazendo um discurso que fez muitos pais chorarem (Ainda falarei deste assunto em uma outra oportunidade). A ela, minha eterna gratidão!
Finalmente, merecem ser lembradas a dona Lisete e a dona Ednéia, ambas professoras de Educação Artística. A dona Lisete, minha professora na 5ª. série, deixava nos cadernos de desenho comentários do tipo “Lindo! Parabéns! Muito bom! Continue assim”. O Fábio, filho da dona Ana, sempre foi muito bom nos desenhos e, por isso, recebia mil elogios dela por causa de seus desenhos. "Não é possível esse cara desenhar tão bem assim. Será que ele não cola?" Pelo sim, pelo não, eu passei inúmeras tardes copiando desenhos pra treinar meu traço. Acabamos nos tornando os melhores desenhistas da sala. Quase 4 anos depois, ao final da 8ª. série, quando fomos até a casa dele fazer um trabalho de Ciências, achamos sem querer uns papéis de seda com uns desenhos. Descobri então que ele recebia elogios por desenhos que ele colava. De qualquer forma, graças aos incentivos da dona Lisete, aprendi a desenhar razoavelmente bem, chegando inclusive a desenhar alguns rostos (mostrarei os desenhos aqui também em ocasião oportuna). Quanto à dona Ednéia, ela convidou-me na 8ª. série para participar de um teatro, onde eu interpretaria um palhaço que havia esquecido como sorrir. Eu seria o protagonista – ou seja, o palhaço! Eu me lembro de ensaiar em várias outras classes. Foi a primeira vez em que eu protagonizei algo, e a primeira vez que eu me senti feliz fazendo os outros rirem. Meu pai, no entanto, ficou puto da vida. “Você já é meio bobo e ainda vai fazer papel de palhaço? Mas nem pensar!”. O teatro acabou não vingando por outras razões, mas minha gratidão e respeito pela dona Ednéia sempre existirão. Sem dúvida foi uma professora que fez a diferença!
Dentre essas professoras que mencionei, sei que a dona Auxiliadora, dona Ana e dona Ednéia estão vivas e com saúde. Mamãe diz que as vê de vez em quando, e ainda hoje elas se lembram de mim e me elogiam para ela, deixando-a cheia de orgulho. Quanto às outras, não sei por onde andam. Talvez a dona Nadir, dona Neide e dona Dalva tenham falecido ou estejam velhinhas demais pra se lembrar de mim. Em minhas lembranças, no entanto, todas elas serão eternas. Que este post seja uma homenagem e uma forma de gratidão a tudo o que elas fizeram por mim e por tantos outros alunos. Sem dúvida elas me influenciaram desde cedo, talvez sem querer, a seguir a mesma profissão que elas...

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