segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O som que me desperta

Todos os dias, quando os raios de sol ainda não penetraram pelas frestas da janela, eu ouço um barulho forte, como se alguém estivesse batendo contra alguma coisa. O som penetra em meu sono, fazendo com que meus batimentos se acelerem até que eu acorde, assustado. Ofegante, olho para o lado e vejo que minha esposa Débora ainda dorme, como um anjo. Vasculho o quarto com os olhos e vejo que o som não se trata de um batido na porta. Norteio-me então pela fonte de luz mais próxima, projeto as pernas para fora da cama e me coloco de pé. Rapidamente, e com a devida cautela, caminho sem o chinelo em direção à porta do quarto. Posiciono-me ao lado da porta e consigo identificar que o som vem do corredor. Ao ver que não há ninguém no corredor, começo a caminhar por ele, vagarosamente. Abro a porta do corredor, mas imediatamente identifico que o barulho não vem daquela parte da casa, e sim de um dos quartos. “Meu Deus, o Miguel!” Subitamente, meu coração se acelera novamente, e a cautela dá lugar ao desespero. Corro então em direção ao berço do Miguel. Lá está ele, de olhos abertos, olhando para os ursinhos de seu mobile. Quando me vê, abre um enorme sorriso, projeta as duas pernas para cima e as deixa cair sobre o colchão repetidas vezes. Retribuo o sorriso, emocionado com tanta ternura e inocência. Agora eu sei de onde veio o tal barulho...

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