segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A árvore da vida


Eu não sei a data exata em que assisti ao trailer do filme “A árvore da vida”, do diretor Terrence Malick. Sei que o encontrei no site do Omelete, e fiquei desde o início interessado em assistir ao filme nos cinemas. Para minha surpresa, o filme foi exibido em um número reduzido de salas pelo país afora, excluindo as cidades de Ribeirão Preto e Franca, as mais próximas de onde moro. Parti então para a tentativa desesperada de baixa-lo da internet. Encontrei as versões em russo e italiano, mas não em inglês. Quando enfim consegui encontrar a versão em inglês, faltava a legenda. Resumindo: foi uma jornada desanimadora e frustrante.

No dia 12 de dezembro, às 18h16min, o DVD enfim chegou a minhas mãos Assisti ao filme já sabendo um pouco do enredo e tendo lido várias críticas negativas na internet. O fato é que o filme, como um todo, é um pouco confuso para os meus padrões intelectuais. Não sou muito crítico, gosto de cinema como entretenimento. Há um tom filosófico e metafórico no filme que às vezes confunde um expectador relativamente leigo como eu. Por exemplo: o pai, interpretado por Brad Pitt, é comparado a Deus em sua relação com seus filhos: quer o bem dos mesmos, mas às vezes é severo demais com eles, particularmente com o mais velho. De qualquer forma, há cenas marcantes que fazem valer muito a pena assistir. As imagens são simplesmente maravilhosas. A mãe, interpretada  por Jessica Chastain, com  um de seus filhos nos braços, ainda bebê, aponta para o céu e diz: “È lá que Deus mora”. Em seu sermão na igreja em que a família frequenta, o padre diz: “Deus às vezes envia moscas às nossas feridas ao invés de curá-las”. O pai tenta ensinar aos seus filhos: “Não sejam íntegros demais, caso contrário serão facilmente passados para trás”. O menino, ao rezar, questiona Deus após a morte por afogamento de um de seus amiguinhos: “Como o Senhor pode exigir que eu seja bom, se o Senhor mesmo não o é?”

Há uma cena do filme em que o pai pega o filho mais velho e vai mostrar as falhas no serviço que ele fez no jardim. Neste momento eu me recordei do papai me levando para mostrar as “rebarbas” que eu deixava quando lavava o caminhão dele.  Obviamente eu nunca desejei que o papai morresse ou disse a ele pra me expulsar de casa, como fez o tal filho no filme. Mas identifiquei muitos aspectos em que a relação entre o pai e o filho mais velho assemelha-se à minha relação com o meu pai.

Após assistir “Árvore da vida”, passei a olhar para o meu filho de outra forma. Certamente eu serei duro com ele, mas também precisarei demonstrar muito amor. Assim como o personagem de Brad Pitt, eu quero que meu filho seja um homem íntegro e independente, esforçado, leal e humilde e que saiba tratar todo mundo com muito respeito. Meu sonho é que daqui a 20 ou 30 anos eu possa ler este post e chegar à conclusão de que a semente que eu plantei tornou-se uma árvore realmente cheia de vida. Que meus filhos - se eu tiver outro, além do Miguel - sejam a árvore da minha vida.

Um comentário:

Graziela disse...

Antonio, passei aqui rapidinho nesse fim de noite, so para lhe desejar um Feliz, Santo e Abencoado Natal.
Mas depois de ler seu post nao tem como nao comentar.
Nao conhecia o filme (nunca li nada sobre), mas pelas suas palavras agora quero assistir.
E sobre suas palavras, seja o melhor pai que voce puder para o Miguel; as comparacoes/ semelhancas com as atitudes do seu pai, podem te levar a reflexoes, mas so. Acredite, quando conseguimos deixar essas amarras para tras e nos entregamos na paternidade/ maternidade, quando nos deixamos surpreender por quem podemos ser... nossos filhos so' tem a agradecer, por sermos tao inteiros, honestos e amorosos com eles.
Caso queira conversar mais sobre, fique a vontade: gra_flor@hotmail.com
So comentei isso (por viver isso tambem) e porque acredito que vc nao se magoara.
Obrigada por reaparecer no meu blog esse ano, para mim foi um grande presente.
Abracos nosso
Gra e familia