quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

E lá se foi mais um Natal...

Hoje, 28 de dezembro, abri um dos e-mails que recebi uma semana atrás desejando um feliz Natal. A sensação foi estranha, pois bateu certa tristeza. Na varanda, a árvore iluminada e o papai Noel pendurado na parede são vestígios de uma data que já passou. As lojas da cidade já não estão mais abertas e as ruas estão praticamente desertas em relação à semana passada. O Natal já passou. Ficou para trás, levando com ele algumas velhas expectativas que alimentei durante o ano. Pensando bem, a sensação de agora é a mesma de exatamente um ano atrás: a de que eu não vou mais nutrir expectativas em relação a esta data. Assim como no ano passado, o pensamento que tenho agora é o de que não haverá mais ceia aqui em casa. Há, no entanto, uma razão um pouco diferente e mais forte para eu tomar esta decisão: os familiares a quem convido sentem sono e dormem cedo. Mal chegam às 23h e já estão sonolentos, encostados pelo sofá da sala ou abrindo a boca de sono, aguardando o momento de ir embora. E a maioria, de fato, vai  embora antes da meia noite. Eu não os culpo. Na verdade, a maioria dos familiares ainda está trabalhando nesta época do ano. Não estão de férias como eu e a Débora. Há também outra parte que prefere rezar ao invés de comer. Estes talvez estejam mais próximos do sentido verdadeiro do Natal: o de celebrar o nascimento do menino Jesus.

A passagem do Natal deveria trazer uma mensagem de paz e de amor aos nossos corações. Afinal, esta data significa o nascimento da esperança. Todos os anos eu peço, em silêncio, que Deus possa nascer em meu coração e que eu possa ser uma pessoa melhor. Este pedido é, de certa forma, uma metáfora. Deus não habita em nossos corações, e sim em nosso cérebro. Sempre que nos concentramos em algo bom ou ouvimos nossa “voz interior”, estamos falando com Ele. Deus, portanto, nunca nos abandonará, pois está o tempo todo conosco. Às vezes, no entanto, deixamos outras vozes do mundo falarem mais alto que Ele. A conclusão a que chego é que, apesar dos meus pedidos de Natal, a voz de Deus parece estar abafada em mim. Não tenho reservado o devido tempo para ouvi-Lo. Eu sei que Ele está comigo o tempo todo, mas não conversar com Ele traz-me uma sensação de fraqueza, vazio e solidão indescritível. Minha alma precisa de silêncio para que eu ouça uma única voz. Eu preciso reencontrar-me com Deus. Talvez assim, com Deus vivo em meu coração durante os 365 dias do ano, o Natal deixe de ser uma data tão esperada e, por que não dizer, frustrante.  Talvez assim eu não me sinta como um menino que pediu um presente ao papai Noel e não ganhou.

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