quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Meu querido filho - parte 2


          Meu querido filho,
Faz tempo que não te escrevo. Eu deveria escrever-lhe com uma frequência maior, mas como eu sei que você só lerá e entenderá essas palavras daqui a uns 15 anos, eu as tenho guardado para mim mesmo. O fato, meu filho, é que o tempo está passando voando e você está se desenvolvendo tão rapidamente que, sem eu me dar conta, esses anos terão se passado e eu não terei registrado a magia de tê-lo conosco.

Desde os primeiros dias de vida você foi um bom menino. Muito saudável, esperto e bonzinho. É claro que se tratando você de nosso primogênito, eu e sua mamãe tivemos que fazer algumas mudanças em nossa rotina para adaptar-nos à sua presença aqui em casa. Nos primeiros meses você dormiu em seu carrinho, ao lado da nossa cama. Nós morríamos de medo de você se sufocar. Coisa de pais cautelosos. Neste período, nós te envolvíamos em uma coberta para que você não sentisse frio. Sua mamãe dizia que eu fazia aquilo melhor que ela, e que você parecia estar enrolado em um turbante de muçulmano. Com isso você ficava em uma posição parecida com a que nós te vimos no berçário, sem poder mexer com os braços e pernas. Mas aos poucos você foi ficando mais forte e foi conseguindo liberar o movimento de seus pezinhos e mãozinhas. E adivinha o que acontecia quando você mexia suas mãozinhas? Você as batia na chupeta, e sem ela você começava a chorar...

Após os três primeiros meses você começou a dormir em seu berço. Para não deixar que sua mamãe se cansasse muito, já que ela já se submetia ao esgotante (e prazeroso, segundo ela) trabalho de amamenta-lo, era eu quem acordava e o trazia para nossa cama, para mamar. Após devorar volumes cada vez maiores de leite, eu o pegava no colo e ficava com você até ouvir você arrotar duas vezes. Só então eu o colocava na cama pra dormir. Quantas e quantas vezes eu e sua mamãe ficamos te admirando, dormindo entre nós, sentindo o seu cheirinho, encantados com o seu desenvolvimento, apaixonados pela sua doçura. “Amor, é o nosso filho!”, dizíamos um para o outro, emocionados, muitas vezes com os olhos rasos em lágrimas. Nesses momentos a gente se lembrava do quanto a gente esperou por você e amou você desde sempre...

Decidimos batiza-lo quando você tinha quatro meses. Seus padrinhos foram a tia Hérica e o tio Alexandre. Tia Vina e tio Marcos foram seus padrinhos de consagração. Nós os escolhemos por razões muito especiais. Tia Vina ajudou sua mamãe a cuidar de você nas primeiras semanas. Ela chegou a dar banho de chá de picão em você para que seus olhos, então amarelados, se tornassem brancos. Tia Hérica, por sua vez, demonstrou-se apaixonada por você desde o momento em que soube que seria titia. O dia de seu batizado foi bastante especial. Apesar do atraso, o padre Mauro realizou uma das cerimônias de batismo mais lindas que eu já vi. Foi de emocionar. Durante a cerimônia, aconteceu algo bastante inusitado. Quando o padre Mauro levantou-o para mostrar para a igreja, você avistou um dos dedos dele e quis morde-lo, arrancando risos de toda a igreja. Aliás, meu filho, rir e arrancar risos têm sido uma de suas maiores especialidades. Você parece feliz por estar vivo, e assim acaba contagiando todos os que estão em sua volta. Estou certo de que você lerá essas palavras na adolescência, período muito difícil da vida de um homem. Espero que até lá você não tenha perdido esta alegria de viver.

Após a cerimônia de batismo, reunimos os convidados lá na nossa casa. O vovô Altair fez um churrasco delicioso e todos comeram bastante. Sua mamãe fez uma bela decoração. Penduramos bexigas no teto da varanda, forramos as mesas... Compramos até um bolo pra você. Cantamos parabéns, com direito a “Derrama, Senhor, sobre ele o seu amor”. Durante a festa, todos queriam pegá-lo no colo. Ao contrário de mim, que quando era criança chorava nos braços de quem eu não estava acostumado, você sorriu pra todo mundo, como se os agradecesse pela sua presença.

Alguns amigos do papai e da mamãe vieram visita-lo. O tio Carlos, o “Gordo”, colega de infância do papai, foi um dos primeiros a vir vê-lo. Vieram também o tio Vladimir e sua família, o tio Rodrigo “Tião” – que se emocionou ao pegá-lo nos braços – e o tio Carlos, que aproveitou e te trouxe um convite para o aniversário do Luís Otávio, que certamente será seu amiguinho, assim como eu e o pai dele somos. Da parte da mamãe vieram a tia Glenda, a tia Natália, a tia Marlene, a tia Janaína e a tia Sandra. Eu e sua mamãe ficamos muito felizes com a consideração que eles tiveram em visita-lo. Esperamos que eles possam comparecer também ao seu aniversário.

Há várias coisas outras que eu quero escrever-lhe, meu filho, mas por enquanto vou parar por aqui, pois você está aqui ao lado, brincando em seu cercadinho, pedindo algo que no momento é mais valioso que estas palavras: a minha atenção.

Um comentário:

Graziela disse...

Antonio, que linda essa carta, essa declaracao de amor.
Eu te peco do fundo do meu coracao, escreva mais vezes para seu filho; acredite esse e' um grande tesouro que voce esta poupando para ele.
Miguel te agradecera por palavras tao lindas.
Va relatando aos poucos, como hoje, um pouco por mes ou a cada dois meses, porque eles crescem muito rapido, muitas coisas acontecem e a gente (pais) acabamos nos perdendo... e' serio. Depois passa e ja nao conseguimos deixar tudo registrado como gostariamos.
Abracos e otima semana para voces.
Da um beijinho demorado nas bochechas lindas do Miguel por mim.
Gra