terça-feira, 17 de abril de 2012

Meu querido filho - parte 5




Meu querido filho,

Está cada vez mais difícil encontrar palavras pra expressar a felicidade que sua mamãe e eu sentimos devido à sua presena em nossas vidas. A cada dia você se torna mais importante, não apenas pra nós, mas para os que restaram da nossa família. Prestes a completar um ano, você começa a dar sinais de sua personalidade, alguns dos quais me deixam extremamente orgulhoso e esperançoso com relação ao seu futuro.

Uma característica de sua personalidade parece ser a sociabilidade. Você adora estar entre muitas pessoas – quanto mais, melhor. Talvez isso vá de encontro à sua ascendência em Leão. Os leoninos, diz o horóscopo, tendem a ser exibicionistas. De qualquer forma, há algo em você que me encanta: você não tem preferidos. Vai de colo em colo e sorri para todos, indistintamente, mesmo para aqueles a quem acabou de conhecer. Em outras palavras, você faz todos à sua volta se sentirem especiais e amá-lo.

Você também está dando sinais de que será um homem muito forte. Hoje, enquanto eu tomava banho, você entrou gatinhando e parou sentado próximo ao blindex. De repente, você quis ficar de pé, mas não havia nada para apoiar-se. Então você abriu os braços, segurou com as mãos nas extremidades de uma das folhas do blindex. Como se estivesse tentando esmaga-la, você olhou para mim, firmou as mãos e, fazendo uma força tremenda, conseguiu colocar-se de pé. Eu quase não acreditei no que vi...

Aos poucos você está cada vez mais parecido comigo quando tinha a sua idade. Todos os que te vêem dizem que você se parece com sua mamãe, mas logo mudam de idéia ao verem alguma foto minha de quando eu tinha a sua idade. Seus pés, suas pernas, suas bochechas, seu cabelo, sua boca... Eu imagino o quanto isso  significa para o vovô Altair e para a vovó Carminha. É como se você os fizesse voltar ao auge de seus 25 anos. Você trouxe de volta aos dois uma alegria que eu julgava ter desaparecido. Seu vovô Altair, por exemplo, disse que seu nascimento o deu pelo menos mais 10 anos de vida. Ele não mais pensa em quantos anos de vida lhe faltam. Ele quer é curti-lo, meu filho.

Por falar em semelhanças, hoje você deixou-me emocionado. Nos últimos dias nós temos ficado bastante tempo juntos. Você adora o meu colo e a “bagunça” que aprontamos. Você adora quando te jogo para cima ou quando brincamos de correr atrás da mamãe, seja no colo ou no carrinho de bebê. A propósito, você aprendeu a simular o som de um motor acelerando quando estamos andando de carrinho. Ah, você também adora balançar na rede... Devido a esta cumplicidade, hoje você chorou quando eu fui trabalhar. Não um chorinho de manhoso; você chorou tanto que as lágrimas chegaram a escorrer pelo seu rosto. Fui trabalhar com o coração cortado. Durante o trabalho sua mamãe ligou dizendo que você ficava a todo instante olhando para o escritório à minha procura, e que sorriu quando viu uma foto minha. Lembrei-me então do quanto eu amava ficar grudado ao papai quando eu tinha a sua idade. Ele era o meu herói, era o meu grande amigo. Eu o achava o homem mais forte do mundo. Eu me sentia protegido e seguro quando estava com ele. Pois veja como são as coisas: você está me fazendo sentir o que o papai sentiu há 35 anos. Eu sempre o ouvi falando: “Você era o bebê mais lindo do mundo! Como eu gostava de vcoê...” e sempre o interrompia dizendo “Puxa, então hoje o senhor não gosta mais de mim?”. “Hoje é diferente.”, sempre responde ele. Hoje eu entendo o que ele quer dizer e o que ele sentiu. E se eu não falhar na sua educação, meu filho, você lerá essas palavras daqui a algumas décadas com o seu filhinho (ou filhinha) nos braços e também entenderá o quanto você nos torna felizes e especiais. Eu te amo, meu pequeno Miguel. Eu te amo...

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