domingo, 8 de abril de 2012

Sinceridade x amizade



Vivemos em um mundo em que as pessoas não dizem o que pensam. Não me interpretem mal. De certa forma, todos nós fazemos isso. Discorda? Então vamos lá: quantos de nós dizemos sempre o que pensamos? Ora, se você já fez isso, deve saber que as consequências não são sempre as mais agradáveis. Quer um exemplo? Diga ao seu chefe o que você pensa sobre as atitudes dele. Procure aquele seu colega e conte-lhe a verdade sobre o dia em que você ficou com a namorada dele. Diga a alguém arrogante que você conhece o quanto ele é insuportável. Em todos os casos a amizade ou o vínculo que você tiver com essa pessoa será quebrado ou, na melhor das hipóteses, ficará muito abalado.

A verdade é que estamos sempre julgando coisas, pessoas e suas ações. Nossas opiniões devem, entretanto, passar por um filtro de bom senso antes de serem expressas. Há situações em que devemos, por educação, respeito ou consideração, manter a boca fechada. A maioria não quer ouvir um comentário desagradável sobre algo que se está fazendo ou fez com a maior boa vontade ou, ainda, que está contando com empolgação. Você já contou uma piada para alguém que, no final, não apenas não riu como também diz: “Essa eu já conhecia”? Bom, é mais ou menos isso.

Mas vamos extrapolar com exemplos mais reais. Suponhamos que você tenha comprado um carro e ido, cheio de empolgação, mostra-lo a um amigo seu. Seu amigo, achando que você está se exibindo, perde as papas na língua. “Não gostei da cor. Por que você não pegou um de cor prata?” É ou não é um baita banho de água fria? Após quase uma década, você terminou a construção de sua casa. Para comemorar, você chama um parente ou um colega para um churrasco. Entenda: é uma pessoa que você quer bem. Você esforçou-se ao máximo para agradar seu convidado: comprou carne de primeira e a temperou com todo o cuidado, comprou a cerveja mais cara. Durante a visita, você lhe mostra a casa. “Não gostei da divisão dos cômodos. Também não gostei da cor dessa parede. Uma cor dessas estragaria os cômodos de minha casa”. Ou “Puta merda, que carne salgada! Você temperou isso com salmoura?”

Já fui a várias casas de colegas, a convite deles. Não me importei se as casas eram boas ou ruins. E não me importou se a comida do almoço esta saborosa ou não. O que realmente me importou foi a consideração desses poucos colegas para comigo. Há outras coisas mais importantes nestes casos. Seu amigo não está interessado em ter a sua opinião sincera, se ela for ruim. Ele quer um elogio. E é isso que ele merece naquela ocasião por sua consideração.

Espero que este post o faça refletir, caro(a) leitor(a), a respeito do quanto sua sinceridade não é bem-vinda em algumas ocasiões. Mantenha suas opiniões críticas com você e preserve, assim, as amizades e as boas relações. Se você não estiver disposto a fazer isso com todos, faça isso pelo menos quando você vier aqui em casa. E tenha a certeza de que eu farei o mesmo quando for à sua.

Nenhum comentário: