quinta-feira, 7 de junho de 2012

De novo...


Estou em um lugar estranho. Não consigo distinguir cores, tudo parece cinzento. A paisagem está devastada pela guerra. Começo então a caminhar em direção a uma luz. No horizonte, enfim, cores. É pra lá que eu vou. Estamos eu e o “Branco”, um colega de infância. De repente, ouço passos. Eles estão nos seguindo. São soldados. Estão armados com mosquetões e metralhadoras. Eles não querem que saiamos daqui. Começamos a correr. Eles também apertam o passo. Quando chegamos ao fim da linha, deparamo-nos com um muro muito alto, com fios de cerca elétrica para impedir nossa fuga. Os soldados abrem fogo. São vários e vários tiros. Olho para o Branco e faço sinal positivo. Ele sabe o que quero dizer. Corro em direção a ele e elevo meu pé direito. Com as duas mãos ele projeta meu pé para cima e eu consigo com a perna esquerda derrubar algumas das hastes da cerca elétrica. Assim conseguimos pular o muro. Deparamo-nos com um enorme pasto. Não é a planície que imaginávamos. Mas, enfim, estamos livres. Ou, pelo menos, achamos que estamos até avistarmos os soldados. Eles ainda nos perseguem com as armas nas mãos, mas agora já não atiram. Corremos então a um conjunto de casas abandonadas, com paredes muito próximas umas das outras. Parecem também abandonadas. Talvez tenham sido também destruídas pela guerra. Já não avisto mais o Branco. Ele parece ter ido em outra direção. Avisto então uma luz, que parece estar no final do labirinto. Vou então caminhando por entre as paredes até chegar a uma varanda. É uma casa antiga, com um assoalho velho, porém muito limpo. Lá estão sentados meu avô Valter Crotti, a dona Deolinda, o seu Dudu e mais algumas outras pessoas que já partiram. Estão todos “proseando”. Meu avô sorri, parece feliz em ver-me ali. Aquilo tudo me parece estranho. Dona Deolinda, no entanto, parece entristecida. “Não diGa nada a ele, Válter. Ele ainda não sabe...” Peraí: o que é que eu não sei? De repente, percebo que estou com as mãos ensanguentadas. Devo ter sido atingido por alguns daqueles tiros. As pessoas presentes naquela varanda, iluminada pela luz de um lampião pendurado ao teto por um arame, parecem olhar-me com pena. Um cheiro forte de café e pão de queijo vem da cozinha. Morrer não é tão ruim quanto eu pensava. Pelo menos não neste sonho...

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