sábado, 16 de junho de 2012

Nove anos sem parada


16 de junho. 8h40min. De pé ao lado do slide, eu aponto para o slide projetado sobre o painel de lona branco, tentando explicar reações de fragmentação aos alunos do curso de mestrado. Tenho o privilégio e a oportunidade de ensinar o que aprendi durante meus 36 anos de vida, que estão se completando hoje. Sim, hoje é dia de meu aniversário. Os slides vão passando, um a um. Os alunos acenam com suas cabeças, demonstrando assim que estão entendendo. O celular toca. É a mamãe. Deve ser pra dar os parabéns. Não posso atender agora. Ela terá, mais uma vez, que esperar. Pobre mamãe... Às vezes acho que não mereço tanta dedicação. Os números de slides vão aumentando. A dificuldade do conteúdo também. De repente, uma mensagem. É de minha irmã. Tivemos um desentendimento recente. Mas ela se lembrou do meu aniversário...
12h20min. Estou seguindo de volta para casa. Olho para a paisagem seca, pensativo. No rádio, músicas das décadas de 70 e 80, selecionadas e gravadas em um cartão SD. Elas me fazem lembrar o passado e viajar por anos que eu vivi. Alguma coisa me prende ao passado e eu não consigo descobrir o que é. Pode ser o medo de envelhecer. Certa vez me disseram pra fazer regressão. Eu não quis. Tenho medo do que posso encontrar lá. Deixemos como está. Que eu permaneça nostálgico, mas sadio.
Logo após cruzar a ponte do rio e fazer a curva à esquerda, avisto o altar em homenagem à Nossa Senhora. Pela primeira vez em nove anos que faço este percurso sinto vontade de parar. Desço do carro e fico ali uns minutos, parado à sombra da encosta do morro, olhando. Sob o altar brota uma pequena mina, cuja água escorre pelo canto da rodovia. É a vida brotando entre as rochas. Ali estão inúmeras homenagens deixadas por fiéis que alcançaram seus pedidos. É a prova de que milagres existem. Nove anos. E é a primeira vez que paro... Onde foi parar minha fé, santo Deus? Olho para cima. O sol esconde-se atrás da folhagem de uma pequena árvore. Sinto um aperto no peito, um nó na garganta. Pode ser que não tenha perdido a fé em Deus. Devo apenas ter pedido a fé nas pessoas. Ou, talvez, em mim mesmo.

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