sábado, 9 de junho de 2012

Realidade ou conto de fadas?


7h30min. Ouço um som vindo de seu quarto. Não me mexo. Estou embriagado de sono. Minutos depois te vejo sentado aos pés da cama, com um enorme sorriso no rosto. Um sorriso doce e inocente. Você começa sua marcha em minha direção. Suas mãos e seus joelhos se movem rápido. Em poucos segundos estou com você em meus braços. Beijo-lhe as bochechas róseas. “Deus te abençoe, meu filho”.

8h. Estaciono em frente à casa de seus avós paternos. Sua avó está te aguardando ao portão. Mal estaciono e ela abre a porta. “Que coisa rica!”, diz ela, com as mãos juntas, como se agradecesse a Deus por tamanha bênção. Você aponta para cima, em direção aos pássaros que tanto te encantam. Já nos braços dela você se projeta em direção ao alpendre. Seu avô não está. Você então me olha e se proejta em minha direção, ensaiando um choro. Eu o tomo novamente em meus braços.

8h30min. Estamos na cadeira da barbearia. Giovani, meu colega há 20 anos e barbeiro há 16, veste pacientemente em você uma túnica laranja. Você o olha, mas não se assusta. Aos poucos os pequenos cachos de seu cabelo vão caindo sobre meus ombros. “Nossa, como ele é bonzinho!”, diz o Eric, que ali está aguardando a chegada do outro barbeiro.

9h. Seus bisavós quase abrem a porta do carro em movimento, tamanha a ansiedade por vê-lo com o novo corte de cabelo. “Ai, que gracinha! Tá parecendo um rapaz!”, dizem, encantados. Você retribui novamente com um sorriso encantador, projetando seu corpo à frente, na esperança de que alguém o tire do bebê-conforto. É difícil não sorrir quando se está perto de você...

9h30min. Sua mamãe está experimentando uma fantasia para uma festa dos anos 60. Marcelinha, a filha do dono do estabelecimento – o Marcelo, com quem estudei em 1993 na FEAM-COC – desenha um largo sorriso quando você toca em seu nariz. Ela começa a engatinha e você, agora no chão, segue-a. Parece estar se divertindo.

10h. Deixamos você na casa de sua avó materna. Ela cuidará de você enquanto seu vovô prepara o almoço. Quando me vê sair, você aponta o dedo em minha direção. Parece querer o meu colo...

13h. Estamos em casa. Você está em meus braços, dormindo. Eu o levo até o berço. Também preciso repousar...

14h. Você está de pé novamente. Sua mamãe vai pegá-lo. Mas você choraminga. Quer meus braços novamente...

15h. Você está no triciclo que a titia Angela deu-te de aniversário. Eu o estou empurrando. Estamos correndo atrás de sua mamãe. Você solta altas gargalhadas. Está feliz por nos ver brincando com você...

16h30min. Estamos passeando em frente à nossa casa. Você aponta para o campo de futebol. Quer ver as crianças jogando. Eu o carrego nos braços até lá. Você aponta o tempo todo e diz: "Uh!". Deve estar querendo brincar também...

18h. Estou sentado no chão da sala, com as costas apoiadas ao sofá. Você está deitado no chão, chupando chupeta, com o pescoço apoiado em minha coxa. Estamos assistindo “Law & Order”. Você adora o tema da abertura da série e a música que toca nas chamadas para os intervalos.

20h. Você está quase adormecendo na cama de nosso quarto, assistindo ao DVD da Galinha Pintadinha. Está apoiado sobre o meu braço direito. Eu cochilo. Você permanece com os olhos fixos na tela da televisão. Quando sua mãe se deita ao meu lado, você fica sentado e dá um de seus melhores sorrisos. “Como é lindo o nosso filho!”

23h30min. Você está dormindo em seu berço. Fico te olhando. Uma mistura de sensações se confundem neste momento. Gratidão, a Deus, por ter nos enviado um filho tão encantador. Orgulho, por você ser tão doce. Alegria, por vê-lo feliz. E fascínio por você ser tão parecido comigo. Afinal, há 35 anos, quando o seu vovô trabalhava como lavourista lá em Quirinópolis, eu não desgrudava um minuto sequer dele. Exatamente como você fez. E acredite: eu passava minhas tardes de domingo olhando as partidas de futebol que aconteciam no campo da fazenda do tio Antônio. Assim como você se encantou com os meninos jogando futebol hoje à tarde. Passo então a mão pelo seu rosto e acaricio seus cabelos e me pego sorrindo, com uma lágrima no canto do olho. “Durma com os anjos, meu filho. Eu te amo.”

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