terça-feira, 7 de agosto de 2012

Fragmentos de minha infância - Domando a branquinha


1986. Tenho 10 anos. Acabo de voltar da escola. Fecho o portão marrom de madeira e sigo em direção ao alpendre. A mamãe e o papai estão me esperando. Peço-lhes suas bênçãos e entro na sala. “Dado, vai lá no seu quarto. Tem um presente pra você.” Abro a porta. “Meu Deus! É uma Triunfo!” Encostada sobre a cama da Fia está a bicicleta que tanto sonhei. É uma bicicleta de amortecedor! É branca e vermelha, igualzinha à que o Adriana “Saracura” tem! E tem rodinhas, acessório indispensável pra quem não sabe andar de bicicleta, como eu. Empolgado, peço ao papai para leva-la para a rua.

Já na calçada, peço para o papai colocar-me em cima dela. “Nossa, papai, o amortecedor dela é duro. Não tem como amolecer ele?”. Ele ri. “Claro que tem. Espera aí que nós vamos dar um jeito.” Abaixando-se, ele deixa cair parte do conteúdo de um vidro de óleo Singer em ambos os amortecedores e, em seguida, passa suas pernas sobre o enorme banco vermelho, deixando repousar sobre os amortecedores seus mais de 120 quilos. A bicicleta parece torcer. O para-lama traseiro chega a encostar no pneu. O papai ri. “Tá bom assim, filho?” E dizendo isso, começa a pular em cima do banco. “Vê se já tá bom, filho.”, diz ele, na expectativa de estar ajudando. Quando ele abandona a bicicleta, vejo que ela está realmente desalinhada... “E aí, filho, gostou? O papai poliu ela pra você. Agora você já pode andar, ela já está com os amortecedores bem moles! Agora só falta você aprender a andar...”

Um silêncio toma conta da calçada. Isso não vai ser nada fácil...
(to be continued...)

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